O JUÍZO FINAL
O final da história da humanidade é o instante em que o homem,
constituído para ser o mordomo sobre a criação na Terra, terá de prestar contas
para o seu Criador.
INTRODUÇÃO
- Deus fez o homem dotado de
livre-arbítrio, ou seja, o homem foi feito com poder de escolha, com liberdade
para fazer o bem ou o mal. Entretanto, a liberdade tem um outro lado: a
responsabilidade. Desta forma, todas as escolhas feitas pelo homem trazem consequências,
que devem ser suportadas pelo próprio homem. O
homem, queira ou não, é responsável pelos seus atos e deverá prestar contas ao
seu Criador.
- A
responsabilidade é, portanto, um traço da humanidade, uma
característica ínsita à natureza humana e, por isso, todos os homens, salvos ou
pecadores, têm de ser julgados diante d’Aquele que é o Senhor de todas as
coisas, do nosso Deus. O
último destes julgamentos é o chamado “julgamento final”, ou “juízo final” ou,
ainda, “juízo do trono branco”,que é, propriamente, o tema de
nossa lição.
I – OS JULGAMENTOS PREVISTOS PARA OS
HOMENS
- Na continuidade do terceiro e
último bloco de nosso trimestre, em que estamos a ter uma visão superficial e
muito breve do livro do Apocalipse, a partir do capítulo 4, estudaremos hoje o julgamento do mal, que se
mostra a partir do capítulo 16 do livro do Apocalipse.
- O
homem é livre e, portanto, responsável pelas suas escolhas.
Isto é consequência da sua natureza humana. Deus o fez assim e, portanto, cada
ser humano, independentemente de obedecer a Deus ou não, tem de responder pelos
seus atos. A prova disto é que a responsabilidade do homem lhe foi anunciada
antes mesmo que tivesse pecado. Ao colocar o homem no jardim que havia formado
no Éden, Deus disse ao homem que ele poderia comer de todas as árvores do
jardim, com exceção da árvore do conhecimento do bem e do mal, tendo, então,
estabelecido a responsabilidade: “…no dia em que dela comeres, certamente
morrerás” (Gn.2:17b). Quando julgou o primeiro casal, Deus invocou esta
responsabilidade (cfr. Gn.3:11) e, em virtude disto, sentenciou-os à expulsão
do Éden e à separação entre Deus e o homem.
- A partir de então, Deus
estabeleceu o
primeiro julgamento a que deve se submeter cada homem: o juízo após a morte
física. Em virtude do pecado, Deus ordenou que os homens
morressem fisicamente, o que não lhes havia sido determinado ao princípio:
“…até que se tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó
te tornarás.” (Gn.3:19 “in fine”). A morte física é o primeiro julgamento que é
feito ao homem em virtude dos atos que praticou durante a sua existência
terrena. É o que vemos em Hb.9:27: “ e, como aos homens, está ordenado morrerem
uma vez, vinde depois disso o juízo.”
- A
morte física é o primeiro instante do processo de julgamento de cada ser humano.
Cada homem (ou seja, ser humano, homem ou mulher) foi constituído como mordomo
da criação na Terra, ou seja, foi constituído por Deus para dominar sobre a
Terra e sobre tudo o que nela existe, tendo de prestar contas ao Senhor após o
término de seu trabalho, assim como se ilustra na parábola dos talentos
(Mt.25:14-30) ou das minas (Lc.19:11-27). Com a morte física, temos o que, na
atualidade, denominaríamos de “juízo preliminar” ou “juízo provisório”.
- Neste
julgamento, é decidido onde o indivíduo aguardará o julgamento definitivo,
que se dará em momentos diferentes, conforme as opções feitas pelo homem
durante sua vida. Dois são os locais onde os homens, atualmente, aguardam o
julgamento: o Paraíso e o Hades. É oportuno observar que, enquanto os homens já
mortos não são submetidos a julgamento, mantêm-se plenamente conscientes, como
nos ensina Jesus na história do rico e Lázaro (Lc.16:19-31) ou nos mostra o
próprio livro do Apocalipse, ao falar das mártires na Grande Tribulação
(Ap.6:9-11).
- O
primeiro julgamento definitivo que ocorrerá será o julgamento da Igreja,
daqueles que creram em Jesus e Lhe foram fiéis até o fim, pois, como nos diz o
apóstolo Pedro, o julgamento começa pela casa de Deus (I Pe.4:17). Este julgamento
faz-se necessário porque a Igreja, embora tenha alcançado a salvação pela fé em
Jesus, é formada de seres humanos e todos os homens devem responder pelo que
fizeram em sua existência, independentemente da sua condição espiritual, pois
isto decorre da própria natureza humana e Deus não faz acepção de pessoas
(Dt.10:17; Cl.3:25).
- O
julgamento da Igreja é o chamado “tribunal de Cristo”, que
ocorrerá logo após o arrebatamento da Igreja, antes das bodas do Cordeiro.
Neste tribunal, os crentes serão julgados pelas obras que tiverem feito por
meio do corpo, ou bem, ou mal (Rm.14:10; II Co.5:10). Este julgamento não envolve salvação ou perdição,
pois todos os crentes que forem arrebatados estarão salvos,porque
lhes foi dada a “pedra branca da absolvição” (Ap.2:17), mas serão julgadas as
obras com vistas à entrega de recompensas, do “galardão”
(Ap.22:12).
- Nesta oportunidade, muitos serão
surpreendidos, pois Deus conhece o coração do homem (I Sm.16:7) e sabe a
qualidade de tudo o que está sendo feito em Sua obra, não atentando para a
aparência, como sói ocorrer conosco. Diante disto, muitos que, aparentemente,
terão feito muito pela obra do Senhor, nada receberão, porquanto suas obras
serão consideradas como palha, como madeira, sem condição de resistir ao crivo
divino e outros, que, aparentemente, nada teriam feito pelo Senhor, receberão
galardões, pois trabalharam em silêncio, sem alarde, mas com dedicação e real
devoção. Os critérios do julgamento e o seu tratamento são descritos em I
Co.3:12-15.
- O
segundo julgamento é o julgamento de Israel, o povo escolhido
de Deus. A Grande
Tribulaçãoserá o instante em que Deus tratará com a nação
israelita e, ao término da Grande Tribulação, Deus terá provado este povo e só
o remanescente será salvo.
- Aqui, de imediato, vemos uma
diferença entre quem fez parte do arrebatamento e quem não fez: enquanto que o
julgamento da Igreja não envolve salvação ou condenação eternas, os demais
julgamentos têm em vista o destino eterno dos indivíduos. Na casa de Deus, na
Igreja vitoriosa e glorificada, os crentes não correm risco de perder a vida
eterna, conquistada pela fé em Cristo Jesus, mas, tanto em Israel quanto entre
os gentios, o julgamento divino envolve a possibilidade concreta e bem provável
de se viver eternamente sem Deus e sem salvação.
- Por isso, aproveitemos enquanto é
dia, enquanto o Senhor está perto, na atual dispensação, para ouvirmos ao
chamado do Senhor e O aceitarmos como nosso único e suficiente Salvador!
Estamos ainda no ano aceitável do Senhor e não percamos esta oportunidade, a
fim de fugirmos do dia da vingança do nosso Deus (Is.61:2). Não desprezemos o
refrigério que nos é oferecido pelo Senhor (At.3:19).
- O
julgamento de Israel e das nações se dará ao final da Grande Tribulação.
Quem aceitar a Cristo e rejeitar a besta alcançará a salvação em Israel. É o
remanescente que será salvo (Rm.9:27), porque se arrependerão de seus pecados e
aclamarão a Jesus como o Messias (Zc.12:10). Os que, entretanto, se deixaram
levar pelas promessas do Anticristo e cerraram fileiras ao lado dele, estarão
irremediavelmente perdidos.
- Os mortos que morreram pela causa
de Cristo durante a Grande Tribulação ressuscitarão e reinarão com Cristo
durante o milênio, juntamente com a Igreja, após terem sido julgados pelas suas
obras, no juízo que se estabelecerá logo após a batalha do Armagedom, o chamado
“julgamento das nações” (Ap.20:4). Este julgamento terá como finalidade apartar
os bodes das ovelhas, ou seja, decidir quem passará com Cristo o reino milenial
e quem não passará o milênio, ficando a aguardar o julgamento final e
definitivo. Neste julgamento, serão ressuscitados apenas aqueles que
desfrutarão o milênio com Cristo, os bem-aventurados que completam o número
daqueles que tomam parte da primeira ressurreição (Ap.20:6). Os demais
indivíduos, com exceção do Anticristo e do Falso Profeta, que já terão sido
lançados vivos no lago de fogo e de enxofre, que será inaugurado naquela
oportunidade (Ap.19:20), aguardarão o julgamento que ocorrerá somente ao
término do Milênio.
- O
terceiro e último julgamento previsto para a história da humanidade é o chamado
“julgamento final” ou “juízo final” ou, ainda, o “juízo do trono branco”,
que terá lugar depois do término do reino milenial de Cristo, em seguida ao
juízo que porá fim a esta dispensação. Logo após os rebeldes serem devorados
pelo fogo do céu que cairá sobre os exércitos que estarão a cercar o lugar
santo em Israel (Ap.20:7-10), terá findado a história humana. O tempo deixará
de existir (Ap.20:11) e Deus chamará à Sua presença todos os seres humanos que
foram criados e que ainda não tinham sido julgados até então, ou seja, todos os
homens que não pertencem nem à Igreja, nem ao Israel salvo nem ao grupo dos
mártires da Grande Tribulação, que já terão sido julgados. Estes outros homens
são os que serão levados a julgamento neste último grande tribunal da história.
II – O LANÇAMENTO DO JUÍZO DIVINO
SOBRE A HUMANIDADE NA GRANDE TRIBULAÇÃO; O JULGAMENTO DAS NAÇÕES E A EXECUÇÃO
DO JUÍZO SOBRE O DIABO E SEUS ANJOS
- Conforme vimos na lição anterior,
após ter sido dada a última oportunidade para a humanidade se arrepender,
através da pregação do evangelho eterno por três anjos evangelistas,
iniciar-se-á a “hora de segar”, o instante da colheita, o momento de os homens
receberem o que merecem por não terem aceitado a Cristo Jesus como seu Senhor e
Salvador (Ap.14:14,15).
- Sabemos todos que, em virtude do
pecado, o homem se encontra irremediavelmente perdido e destituído foi da
glória de Deus (Rm.3:23) e, sem Cristo, não lhe resta senão sofrer a ira de
Deus, que sobre ele permanece desde o momento em que pecou (Jo.3:36).
- No entanto, desde o instante em
que Cristo veio ao mundo, iniciou-se o tempo da graça de Deus, que, tendo
trazido a salvação aos homens, não permitiu que o juízo fosse lançado enquanto
o homem vivesse sobre a Terra, dando-lhe oportunidade para que se arrependesse
dos seus pecados. Assim foi que, durante largo tempo na história da humanidade,
manteve aqui a Igreja, com a missão de pregar o Evangelho a toda a criatura por
todo o mundo (Mc.16:15), testificando de Cristo até os confins da Terra
(At.1:8), além de, por sinais, prodígios e maravilhas, confirmar a palavra de
salvação que fora pregada (Mc.16:20; Hb.2:3,4).
- Mesmo após o arrebatamento da
Igreja, consoante estudamos na lição passada, o Senhor, na Sua infinita
misericórdia, fez com que os 144.000 (cento e quarenta e quatro mil) e as duas
testemunhas pregassem o Evangelho do reino, que levou à conversão de muitos,
todos estes, como também vimos, inevitavelmente mortos pelo Anticristo.
- Mas, desde que a Igreja foi
arrebatada, o Senhor, também, ao lado da pregação do Evangelho do reino, não
deixou de demonstrar o Seu desagrado para com os impenitentes, iniciando a
demonstração do juízo divino, numa paulatina e longânima diminuição do
exercício da Sua misericórdia.
- Ao permitir a ascensão do
Anticristo, fez com que um rastro de destruição e morte acompanhasse a falsa
paz propalada pela besta, como se vê no tocante à abertura dos seis primeiros
selos(Ap.6), sendo que, no sexto selo (Ap.6:12-17), temos a evidência da
soberania divina, quando uma série de fatos da natureza revelam aos homens, sem
qualquer dúvida, de que o Anticristo não era um deus, nem tampouco poderia ser
adorado.
- Em seguida à abertura do sexto
selo, que é seguido pela proclamação do Anticristo como um deus, no auge de seu
reinado, o Senhor dá prosseguimento o derramamento de Sua ira sobre o mundo,
mas o faz ainda parcialmente, através das sete trombetas (Ap.8,9 e 11:15-19),
ainda abrindo a oportunidade para que os homens se arrependam através da
pregação angelical.
- Terminada esta pregação, porém, chega o momento da ceifa, da
colheita, pois “…Deus não Se deixa escarnecer, porque tudo o que homem semear,
isso também ceifará” (Gl.6:7). Este tempo da colheita, aliás, foi anunciado
tanto por João Batista (Mt.3:12; Lc.3:17) como pelo próprio Jesus
(Mt.13:40-42).
- Esta
ceifa será determinada pelo próprio Senhor Jesus(Ap.14:14-16),
que, aliás, desde o início do livro do Apocalipse, é apresentado, glorificado,
não só como sumo sacerdote mas, também, como o supremo juiz.
- Esta
ceifa começa com o lançamento das sete taçasque consumam a ira
de Deus sobre a humanidade impenitente (Ap.15:1), as sete últimas pragas em que
o Senhor completa o juízo iniciado com as sete trombetas. Eis um breve sumário
das sete taças:
a) primeira
taça– uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da
besta e que adoravam a sua imagem (Ap.16:2);
b) segunda
taça– morte de todas as criaturas marinhas (Ap.16:3),
terminando-se, assim, o que havia sido iniciado com a segunda trombeta
(Ap.8:8);
c) terceira
taça– as águas doces tornam-se em sangue, ou seja, deixam de
ser potáveis (Ap.16:4), completando-se, assim, o juízo da terceira trombeta
(Ap.8:10,11);
d) quarta
taça– os homens são abrasados com grandes calores, o verdadeiro
“aquecimento global” (Ap.16:9);
e) quinta
taça– o reino da besta torna-se tenebroso (Ap.16:10);
f) sexta
taça– secam-se as águas do rio Eufrates e espíritos de mentira
convencem os governantes do mundo a guerrear contra o remanescente de Israel
para destruí-lo totalmente (Ap.16:12-16);
g) sétima
taça– o maior terremoto de todos os tempos (Ap.16:17-21).
- Por ocasião do grande terremoto,
quando as nações da Terra já estarão reunidas no vale de Josafá (Jl.3:2),
também chamado de vale do Armagedom (Ap.16:16), sob o comando do Anticristo,
para a destruição do remanescente fiel de Israel, que, tendo rompido com o
Anticristo logo após ter ele se declarado deus e profanado no templo, fugiu
para esta região da Judeia (Mt.24:15-22), terá início a destruição do sistema
gentílico rebelde contra Deus, a “Babilônia” de que fala o texto do livro do
Apocalipse (Ap.17,18).
- Na batalha do Armagedom, o próprio
Jesus, acompanhado da Igreja, aparecerá em glória nas nuvens dos céus e será
reconhecido como o Messias pelos judeus que estarão na iminência de serem
destruídos (Is.63:1-6; Ap.1:7; 19:11-19) e, mediante o reconhecimento dos
judeus de que Jesus é o Messias, serão eles salvos e sobre eles se derramará o
Espírito Santo, tornando-os o reino sacerdotal para o Milênio (Zc.12, 14;
Jl.3).
- O
Senhor vencerá o Anticristo e o Falso Profeta, como também os
seus exércitos, e as
duas bestas serão lançadas vivas no lago de fogo e enxofre(Ap.19:20),
inaugurando este terrível local, que foi preparado para o diabo e seus anjos
(Mt.25:41).
- Após o lançamento das bestas no
lago de fogo e enxofre, o
Senhor Jesus fará o julgamento das nações, ou seja, determinará quem participará do milênio e quem não o fará,
separando, assim, os bodes das ovelhas (Mt.25:31-46). Todos que se levantaram
contra Israel e creram nos espíritos de mentira que saíram da boca da trindade
satânica, congregando-se contra o povo de Deus no vale do Armagedom
(Ap.16:13,14), serão mortos (Ap.19:14).
- Somente serão poupados, para
participar do reino milenial de Cristo o remanescente de Israel e as nações que
não se aliaram ao Anticristo, que não aceitaram pôr o sinal da besta em suas
testas e mãos, que creram na mensagem da pregação angelical do evangelho
eterno.
- Em seguida a esta seleção, um anjo descerá do céu e aprisionará o diabo,
que já terá sido precipitado na Terra por ocasião do início da manifestação da
ira de Deus (Ap.12:7-9), lançando-o no abismo, lugar temido por todos os
demônios (Lc.8:31; Jd.6), para que fique mil anos sem poder tentar a humanidade
(Ap.20:1-3). “…O Senhor Jesus Cristo, o supremo juiz, já sentenciou Satanás a
mil anos de prisão no abismo e não há advogado deste ou de qualquer outro mundo
que possa anular ou mesmo atenuar esta sentença. Este abismo não é o inferno, o
lago de fogo. O lago de fogo será inaugurado pela besta e pelo falso profeta
(Ap.19:20). A prisão de Satanás terá duração de mil anos.…” (OLIVEIRA, José
Serafim de.Desvendando o Apocalipse: o livro da revelação, p.128).
- Ao
término do milênio, o diabo será solto e voltará a enganar as nações,
levando-as a se rebelar, uma vez mais, contra o Senhor. Os rebeldes se reunirão
e cercarão Jerusalém, mas a rebelião será desfeita mediante a descida de fogo
do céu que a todos devorará (Ap.20:7-10), ocasião em que o diabo, então, será, juntamente com seus anjos,
lançado no lago de fogo e enxofre, onde já terão estado, há mil
anos, as bestas.
- “…A queda de Satanás nesta secção
[Ap.20, observação nossa] alude, profeticamente, à queda de todos os poderes do
mal, conforme se depreende da secção seguinte. Ele tinha já passado mil anos no
abismo, mas isso foi uma ação intermediária. Agora, entretanto, ele sofrerá a
sua derrota final e irá para seu destino. Finalmente, a cabeça da serpente é
ferida para sempre (Gn.3:15). A vitória conseguida sobre o diabo no Calvário
agora recebe operação completa. Sua queda será gradual. Ele será expulso dos
ares para a terra e o mar no período da Grande Tribulação (Apo.12:9 e s.). Será
aprisionado por mil anos (Ap.20:2 e s). E então, no texto em foco, derrotado
completamente pela ação poderosa e imediata de Deus, mesclada de ira. Este
capítulo do Apocalipse é a consolidação no que diz respeito a toda e qualquer
revolta ou rebelião do ser humano ou de hostes espirituais do mal. O bem triunfará
e o Cordeiro de Deus tirará definitivamente ‘…o pecado do mundo’ (Jo.1:29) e só
existirá no Universo a semente do bem…” (SILVA, Severino Pedro da. Apocalipse versículo por versículo.
3.ed., p.258).
- Temos, então, a execução do
julgamento de Satanás e de seus anjos. Falamos em execução, pois o diabo e seus
anjos já foram julgados no instante mesmo em que pecaram contra Deus. O próprio
Jesus, em Seu ministério terreno, já afirmara que o príncipe deste mundo já
estava julgado (Jo.16:11). Aqui haverá a execução, o cumprimento deste julgado.
III – O JUÍZO DO TRONO BRANCO
- Como temos visto, Deus dotou o
homem de liberdade e, portanto, o homem deve responder pelos seus atos. Esta
responsabilidade exige um julgamento e Deus, como é justo, determina que todos
os seres humanos sejam julgados pelos seus atos. Se entre os homens, tão falhos
e imperfeitos, há a ideia de que é necessário fazer justiça, que podemos dizer
de Deus, cujo caráter e natureza são em muito superiores aos dos homens?
- Deus, então, não poderia, mesmo,
em vista de Seu caráter, encerrar a história da humanidade sem que chamasse à
responsabilidade cada ser humano pelos atos que tenha praticado durante a sua
existência, a fim de definir se, na eternidade que se seguirá à história,
poderá, ou não, desfrutar da convivência eterna com o seu Criador, que é o
objetivo precípuo de todo o plano estabelecido por Deus ao homem (Ap.21:3).
- O
julgamento final é chamado de “juízo do trono branco”porque a
narrativa bíblica se inicia com a visão de um “grande trono branco”, seguida da
fuga da presença da terra e do céu (Ap.20:11). Ocorrerá depois do término do
reino milenial de Cristo e, na Bíblia, este julgamento é explicitamente
mencionado, pela primeira vez, por Daniel (Dn.7:9,10), sendo algo que era de pleno
conhecimento dos judeus, como mostra Marta, irmã de Lázaro, quando se dirigiu
ao Senhor quando Este chegou a Betânia quatro dias após a morte de Seu amigo
(Jo.11:24).
- Antes mesmo da profecia de Daniel,
a ideia de que Deus julgará os homens não era desconhecida dos judeus. O Antigo
Testamento já nos permite vislumbrar esta realidade de um julgamento divino em
relação ao homem, como se vê, por exemplo, em alguns salmos, como os de
número.50, 75 e 94.
- O juízo do trono branco é o
“último dia” da crença dos judeus, o dia em que todos irão ressuscitar e
comparecer perante o Senhor para prestar contas do que tenham feito, entendido
que não serão julgados nesta oportunidade nem a Igreja, nem os mártires da
Grande Tribulação, nem o Israel salvo, que já terão sido julgados
anteriormente, pois se constituem na “casa de Deus” (I Pe.4:17).
OBS: “…no último dia…se
referia à noção judaica acerca do fim do mundo, isto é, do presente sistema
mundano, quando o Messias chegasse a fim de estabelecer uma nova ordem neste
mundo, restaurando a glória ao reino de Israel, ocasião em que haveria uma
ressurreição geral dos justos, porquanto, segundo as ideias que os judeus
faziam a respeito, os injustos ordinariamente não eram considerados dignos de
fazer parte da ressurreição. O cristianismo, por outro lado inclui uma
ressurreição geral para toda a humanidade, segundo se pode ver nos trechos de
João 5:28,29 e Apo.20:4-6.…” ( CHAMPLIN, R.N. O
Novo Testamento interpretado, com. Jo.11:24, v.2, p.468).
- Jesus também menciona este
julgamento, quando profere o Seu sermão escatológico, como vemos em
Mt.25:31-46, onde, explicitando o que já havia sido predito em Dn.7:13, ou
seja, de que Ele próprio, o Filho do homem, haveria de efetuar o julgamento,
diz que este julgamento se iniciará logo após a Sua vinda triunfal em glória (o
“julgamento das nações” mencionado supra) e terminará com o “juízo do trono
branco”, quando, então, serão separados definitivamente aqueles que irão para o
gozo eterno e os que padecerão o tormento eterno para todo o sempre (Mt.26:46).
Este processo, iniciado no “julgamento das nações”, somente se findará no
“juízo do trono branco”.
- Este ensino de Jesus foi, depois,
confirmado pelos apóstolos e pelos escritores do Novo Testamento. Paulo afirma
que Jesus há de julgar os vivos e os mortos (II Tm.4:1), assim como Pedro (I
Pe.4:5). Tiago, também, alerta para o fato de que todos serão submetidos ao
julgamento divino (Tg.2:12,13; 3:1;4:12), assim como João (II Jo.8) e Judas
(Jd.15).
- A ideia de que Deus julgará os
homens, aliás, é uma ideia que perpassa por todos os povos e civilizações,
sendo uma demonstração de que se trata de um conhecimento dado ao homem desde
as mais priscas eras, algo que o inimigo não conseguiu apagar da memória do ser
humano, pois há certos aspectos da divindade que não podem ser eliminados, até
porque os homens comparecerão diante de Deus sem condição alguma de se
desculpar (Rm.1:18-20). Já entre os egípcios, havia uma crença a respeito do
julgamento a que são submetidos os mortos, crença esta que alguns estudiosos
entendem tenha até influenciado a concepção judaica a respeito do tema. De
qualquer maneira, é uma daquelas noções que se encontram em todos os povos, a
mostrar, claramente, que não há como alguém escapar do juízo divino.
- Aliás, pelo que vemos nas
Escrituras Sagradas, desde Enoque (Jd.14), o mundo tem sido confrontado com o
julgamento divino, não tendo sido outro, aliás, o teor da mensagem de grandes homens
de Deus ao longo da história da humanidade, como Noé (“o pregoeiro da justiça”
– II Pe.2:5), Jonas (Jn.3:4 “in fine”) e João Batista (Lc.3:7-9).
IV – OBJETIVOS DO JULGAMENTO FINAL
- Deus terá encerrado a história
humana. Com o devorar dos últimos rebeldes com fogo descido do céu e a execução
da sentença lançada sobre o diabo quando de sua rebelião contra Deus, dizem-nos
as Escrituras que a terra e o céu fugirão da presença do Senhor (Ap.20:11), ou
seja, chega-se ao clímax, ao término da existência do Universo relativo, da
criação que o Senhor havia feito e posto sob o domínio do ser humano.
- Assim, deixando de ter razão de
ser a existência de todas as coisas que haviam sido criadas em função do homem,
é chegado o instante de todos os seres humanos que já existiram e que ainda não
foram julgados serem levados à presença do Criador, a fim de que prestem contas
da mordomia de que foram investidos. Sem que isto ocorra, não é possível que
sejam criados novos céus e nova terra, pois nosso Deus não é injusto nem Deus
de confusão e a criação de novos céus e terra exigem a resolução de todas as
questões morais pendentes na atual criação. Uma das finalidades do juízo final,
portanto, é a de eliminar as pendências ainda existentes e, deste modo, ultimar
e concluir a dimensão física hoje presente no Universo relativo.
- Com o julgamento final, Deus,
também, mostrará que é o Senhor de todas as coisas. Todo julgamento, nos nossos
dias, é uma expressão de soberania, ou seja, de domínio e de poder. Toda vez
que alguém é julgado por um tribunal, este tribunal está dizendo que o governo
ou a organização a que ele pertence tem poder, tem supremacia, é superior a
quem está sendo julgado, que, assim, lhe deve obediência. Não é por outro
motivo, por exemplo, que os Estados Unidos têm se recusado a assinar o Tratado
de Roma que criou o Tribunal Penal Internacional, uma corte que julga os crimes
contra a humanidade, ligado à Organização das Nações Unidas, porque não aceitam
a ideia de que a ONU possa lhes dizer o que devem fazer ou deixar de fazer com
relação à segurança das nações.
- No
julgamento final, portanto, Deus
irá mostrar que é o Senhor dos céus e da terra, que a terra Lhe
pertence (Sl.24:1). É sintomático observar que a Bíblia diz que, ao se
estabelecer a Corte Divina, terra e céu fogem da presença de Deus, porque “não
se achou lugar para eles” (Ap.20:11), ou seja, não há quem possa sequer ter
posição, lugar ou existência diante deste Deus, que é o Senhor de todas as
coisas, o Eterno, Aquele que deu existência a tudo o mais.
- Também é importante verificar que
Deus Se instala como Soberano para julgar já tendo sentenciado o diabo e seus
dois principais agentes (o Anticristo e o Falso Profeta), para nos ensinar, a
nós que ainda estamos na dispensação da graça, de que só Ele é Soberano e que
ninguém, nem mesmo o diabo, pôde, em algum momento, competir com Ele a respeito
do controle e do domínio do mundo. O diabo nada governa nem nada tem, sendo
apenas um ser atrevido e que tem agido única e exclusivamente por permissão divina,
porque sua ação serve aos sublimes propósitos do Senhor. Assim sendo, não
aceitemos os pensamentos, doutrinas e ensinos que procuram criar um falso
dualismo entre Deus e o diabo no universo, pois “nosso Deus é Soberano, Ele
reina desde a fundação do mundo”.
- Mas, além da prova da Sua
soberania sobre tudo e todos, o
julgamento final também tem por finalidade fazer justiça. Deus
tem exercido a Sua misericórdia e a Sua bondade desde o momento em que o homem
pecou. Com efeito, expulsou o homem do jardim do Éden, mas não permitiu que ele
tomasse do fruto da árvore da vida, impedindo-o de ter um destino eterno
irremediável, como ocorreu com o diabo e seus anjos. Mas, apesar de ser bom e
de Sua misericórdia alcançar todas as gerações (Ex.20:6; Dt.5:10), chegará o
momento em que deverá executar a Sua justiça, pois Deus, além de ser amor,
também é justo (Sl.11:7) e a justiça é a base do Seu trono (Sl.89:14; 97:2).
Assim, se o julgamento final serve para mostrar a Soberania de Deus, também
serve para mostrar a Sua justiça, pois, como indagou o próprio amigo de Deus,
Abraão: “…não faria justiça o Juiz de toda a terra ?” (Gn.18:25).
- A propósito, o filósofo alemão
Immanuel Kant (1724-1804) demonstrou a existência de Deus precisamente pela
necessidade de que haja um julgamento que restabeleça a ordem moral no
universo. Como todos os homens são responsáveis, diz o filósofo, e, nesta vida,
perduram situações de injustiça, em que as pessoas não respondem pelos danos e
males cometidos, é evidente que tenha de haver um outro mundo em que se faça
justiça e, naturalmente, que exista um Juiz, superior aos demais, que execute
esta justiça. Vemos, portanto, que o julgamento final cumpre o propósito de
demonstrar não só a existência divina, mas o Seu caráter justo, que nem sempre
ficou evidenciado ao longo da história humana.
- Ao fazer justiça, Deus irá mostrar
a cada ser humano que há, sim, diferença entre o homem que serve a Deus e o que
não O serve. Muitas vezes, no mundo, somos levados a ilusões e nos embaraçamos
com as aparências, achando, como Asafe, que não há qualquer vantagem em se
servir a Deus e se chega, mesmo, a invejar os ímpios (cfr. Sl.73). Entretanto,
o julgamento final, de forma pública, notória e diante de todos os seres
humanos que já existiram sobre a face da Terra, será mostrada a verdade
patente, nua e crua de que vale a pena servir a Deus. Nesse dia, como
profetizou Malaquias, “…vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio,
entre o que serve a Deus e o que não O serve.” (Ml.3:18).
- O
julgamento final também tem o propósito de encerrar o cumprimento das promessas
de Deus. Após ter restaurado todas as coisas, mostrando o Seu
poder sobre o mal e o pecado, que é o objetivo precípuo do reino milenar de
Cristo, o Senhor promoverá o cumprimento de tudo aquilo que prometeu e disse a
cada ser humano que existiu: promessa de salvação àqueles que Lhe serviram e de
condenação àqueles que não Lhe deram crédito, que contra Ele se rebelaram. É o
momento do acerto de contas, da chamada à responsabilidade de todos os homens
que, tendo recebido de Deus o livre-arbítrio, a liberdade, dela usaram como
quiseram. Deus estará, então, finalizando o cumprimento da Sua Palavra para
esta dimensão histórica.
- O
julgamento final é o triunfo do bem sobre o mal, a determinação
da vida eterna para quem creu em Deus e O serviu e da morte eterna, a chamada
“segunda morte” (Ap.20:14), para quem rejeitou a Deus e contra Ele se rebelou.
Todos aqueles que se rebelaram contra Deus serão definitivamente julgados e
lançados no lago de fogo e de enxofre, onde já estarão o diabo, o Anticristo e
o Falso Profeta e os anjos caídos que, nesta oportunidade, terão, também, sido
julgados (Jd.6), num julgamento que deverá ocorrer pouco antes da execução da
sentença já lançada sobre Satanás e do qual participarão os santos do Altíssimo
(cfr. I Co.6:9). O mal será extirpado e, então, terra e céus serão substituídos
por nova terra e novos céus onde habitará a justiça (II Pe.3:13). Somente
depois que a iniquidade, o pecado, a injustiça for retirada é que se poderá ter
novos céus e nova terra, como nos ensina a Bíblia Sagrada e esta retirada se
fará mediante o julgamento final.
V – OS FUNDAMENTOS DO JULGAMENTO
FINAL
- Todo julgamento tem de se basear
em normas e regras que sejam claras e conhecidas de todos. Ninguém pode ser
julgado sem que haja uma lei que sirva de critério e de base para este
julgamento. É por isso que, na ciência jurídica, é sempre dito que a função de
julgar nada mais é que “a atuação da vontade concreta da lei”, ou seja, a
aplicação do que diz a lei para um caso concreto.
- Os julgamentos divinos não fogem a
este princípio, até porque este princípio adotado e acolhido pelos juristas é
decorrência do que o próprio Deus estabeleceu para o homem, ao criá-lo e ao
mundo onde ele vive.
- O
primeiro fundamento dos julgamentos divinos é a própria racionalidade humana,
ou seja, a capacidade de entendimento de que o homem foi dotado por Deus, para
ter consciência de si mesmo e do próprio Deus. Deus fez o homem um ser
pensante, um ser racional precisamente para que ele pudesse saber que é um ser,
que, enquanto ser, ocupa uma posição de inferioridade em relação a Deus e de
superioridade em relação à criação na Terra, bem como que tem o poder de
escolher entre obedecer a este Deus ou não. Consciência de si, de Deus, de sua
posição na ordem universal e de sua liberdade, são os pontos da racionalidade
humana e que são a primeira base para os julgamentos divinos.
- Esta racionalidade e consciência
geram uma liberdade que, como já vimos supra, traduz-se numa responsabilidade.
Por mais que os homens possam ludibriar e enganar os seus semelhantes,
conseguindo escapar aos julgamentos humanos, seja porque os homens não
conseguiram obter provas suficientes para responsabilizar alguém, seja porque
não houve interesse ou empenho dos julgadores em promover a responsabilização,
o fato é que sempre o réu culpado sabe que está errado e que agiu contra a lei.
Assim, ainda que seja absolvido, isto é, não seja responsabilizado num
julgamento humano, o réu sabe muito bem que a solução correta e justa não seria
esta, mas a sua condenação. Por quê? Porque a consciência recebida de Deus lhe
mostra que ele está errado e que deveria ser condenado.
- Vemos, portanto, o primeiro
fundamento dos julgamentos divinos: o homem é livre e consciente e, portanto,
responsável pelos seus atos. Sabe Deus, pois foi quem criou todos os homens,
que não há um homem igual a outro em toda a história da humanidade. O Senhor
conhece a estrutura de cada um (Sl.103:14) e, por isso, determinou que os julgamentos
divinos sejam individuais. É importante observar que todos os julgamentos
divinos são individuais: tribunal de Cristo – cada crente será julgado pelas
suas obras; julgamento das nações – cada indivíduo de Israel e das nações
gentílicas será julgado pelas obras apresentadas durante o período da Grande
Tribulação para que se veja se é, ou não, digno de ingressar no milênio;
julgamento final – cada um dos seres humanos não incluídos nos
julgamentos anteriores será julgado segundo as suas obras. Os julgamentos são
individuais porque Deus avaliará o grau de consciência e de responsabilidade de
cada um, a fim de que os julgamentos sejam justos.
- Mas, além da consciência e da
responsabilidade de cada indivíduo, Deus,
também, usará a Sua revelação como fundamento para o julgamento.
Vimos que todo julgamento tem de se basear em uma lei e, além da consciência e
responsabilidade, que são regras, normas inseridas por Deus em cada ser humano,
há, também, a revelação do próprio Deus ao homem ao longo de toda a história da
humanidade.
- Deus, conhecendo a fragilidade do
homem, mormente depois que caiu e se apartou do seu Criador, sempre teve
interesse e desejo de Se revelar ao homem, fazendo-o seja pela natureza, seja
por Israel, seja pela Sua Palavra, seja pelo Seu Filho (em carne, pela Igreja,
pelos pregadores da Grande Tribulação, pelos anjos do evangelho eterno). Deus
não quis deixar apenas sob um aspecto subjetivo, interno, pessoal de cada
indivíduo o critério para alicerçar uma responsabilização, um julgamento, mas,
por meio de elementos puramente objetivos, externos a cada ser humano,
mostrou-Se ao homem, a fim de que ele pudesse conhecer qual era o caráter de
Deus e ao que deveria se assemelhar. Esta revelação divina, portanto, será o
critério e um dos fundamentos dos julgamentos divinos.
- Aqui, também, se explica porque cada julgamento será individual.
Deus irá tratar a cada indivíduo conforme a revelação divina que teve. É,
aliás, este o sentido da expressão de Rm.2:12, onde Paulo diz que os que sem
lei pecaram, sem lei serão julgados e os que conheceram a lei, pela lei serão
julgados. Nesta passagem, Paulo nos mostra, com a clareza que lhe era peculiar,
que Deus levará em conta, no julgamento, o tipo de revelação que a pessoa teve
de Deus, a fim de que, segundo esta revelação, seja verificado se houve, ou
não, observância e obediência ao Senhor. Lembremos, desde já, embora venhamos a
tratar do assunto amiúde mais abaixo, que nenhum homem poderá se desculpar e
dizer que não teve como perceber a revelação de Deus a si (cfr. Rm.1:18-20).
- Mas, um julgamento justo não se
baseia apenas nas normas e regras abstratas, mas, como deve ser a aplicação da
lei ao caso concreto, é preciso que se apresentem, também, fatos, provas que
demonstrem ter ocorrido a observância, ou não, da lei. É por isso que os
julgamentos divinos não têm apenas a consciência, a responsabilidade do
indivíduo que está sendo julgado ou a revelação divina a este indivíduo, mas
também os registros de tudo aquilo que ele fez enquanto existiu sobre a face da
Terra. É este o sentido dos “livros” mencionados em Ap.20:12 “in fine”. Não
pensemos que haja um cartório no céu, com livros e mais livros, como os nossos
cartórios judiciais e extrajudiciais, onde fisicamente haja registros das obras
de cada indivíduo que já viveu sobre a face da Terra. Trata-se, evidentemente,
de uma figura, de um símbolo, mas, sem dúvida alguma, estão registrados diante
de Deus todos os atos praticados por todos os indivíduos e estes atos serão
apresentados no momento do julgamento, diante de cada réu. O justo juiz
mostrará a justiça julgando sempre com provas.
- Abrimos aqui um parêntese no
assunto da lição apenas para lembrar a todos nós que, sendo servos do Senhor e
tendo de ser a Sua imagem e semelhança, de modo algum podemos proceder de forma
diversa da que procede o nosso Deus. Se Deus que é onisciente, ou seja, sabe de
todas as coisas; onipresente, ou seja, está em todos os lugares ao mesmo tempo
e onipotente, pode todas as coisas, não dispensa a existência de provas para
julgar alguém, por que eu e você, muitas vezes, aceitamos e julgamos as pessoas
sem que tenhamos qualquer prova ou o menor indício? Por que confiar no “ouvir
dizer” ou nas aparências, muitas vezes vindas de meios de comunicação altamente
comprometidos e sem qualquer compromisso com Deus e, portanto, com a verdade?
Pensemos nisso e mudemos nosso comportamento o quanto antes, porque, se
continuarmos a agir erradamente, isto, sim, estará devidamente provado naquele
dia…
- Outro
fundamento dos julgamentos divinos e, portanto, do julgamento final é o direito
de defesa. Todos os julgamentos somente se justificam por causa
do direito de defesa. Deus irá julgar um por um dos indivíduos que existiram
sobre a face da Terra (e isto literalmente, se considerarmos os três
julgamentos), única e exclusivamente para dar oportunidade aos julgados para se
manifestar e ter acesso às provas e à aplicação das normas ao caso concreto.
Não fosse este o motivo, o Senhor teria lançado os ímpios, de imediato, no lago
de fogo e de enxofre, assim como fez com o Anticristo e o Falso Profeta, que
assim serão tratados porque desafiaram abertamente a Deus e se deixaram dominar
pelo diabo, num nível de rebeldia igual ao de Satanás, de plena consciência e
rejeição ao senhorio divino. Com relação aos outros homens, porém, Deus lhes
mostrará a Sua justiça, permitindo-lhes que se manifestem, assim como fez com
os nossos primeiros pais (Gn.3:8-11). Tanto assim é que vemos os
julgados, mesmo condenados, manifestando-se no julgamento final, como, por
exemplo, em Mt.7:22 e Mt.25:44. Teremos um efetivo direito de defesa, inclusive
com direito ao uso de palavra. Que Deus justo é o nosso Deus!
- Não é por outro motivo que os
juristas costumam chamar o direito de defesa de sagrado, já que o primeiro
registro de sua criação e exercício remonta ao próprio Deus, neste episódio do
Jardim do Éden. Aqui, aliás, abrimos um outro parêntese: se Deus que é Deus dá
a cada ser humano na face da Terra a oportunidade de defesa, por que nós,
muitas vezes, queremos suprimi-lo de nosso semelhante? Seríamos mais justos do
que o Senhor, do que o Juiz de toda a Terra?
- Outro
fundamento dos julgamentos divinos é a sua publicidade. Todos
os julgamentos divinos são públicos, são feitos à vista de todos os envolvidos.
O tribunal de Cristo é feito diante de toda a Igreja arrebatada; o julgamento
das nações e o julgamento final são vistos diante de tronos, numa típica
cerimônia pública, onde todos os homens de todos os tempos estarão reunidos
para se submeter ao Senhor dos senhores e Rei dos reis. Tanto assim é que Paulo
afirma que, nesta oportunidade, ocorrerá a suprema exaltação de Cristo e todo o
joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor
(Fp.2:9-11).
- Se Deus faz as coisas
publicamente, à vista de todos, por que muitos insistem, inclusive na Igreja,
que é o corpo de Cristo, em promover julgamentos às ocultas, às escondidas? Não
devemos agir assim, até porque, se os membros da igreja local não veem, saibam
todos que tudo o que se passa é visto pelo Senhor e, como diz o escritor aos
Hebreus, “não há criatura alguma encoberta diante d’Ele, antes todas as coisas
estão nuas e patentes aos olhos d’Aquele com quem temos de tratar.”(Hb.9:13).
Abramos nossos olhos e sigamos a publicidade demonstrada pelo caráter justo do
Senhor, porque “…nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto, que
não haja de saber-se” (Mt.10:26b), a fim de que não recebamos o mesmo juízo
lançado sobre Davi, a saber: “porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este
negócio perante todo o Israel e perante o sol” (II Sm.12:12).
- Logicamente que, quando dizemos
que os julgamentos nossos devem ser públicos, a exemplo dos julgamentos
divinos, devemos manter a mesma sobriedade e dignidade que o Senhor manterá
nestes julgamentos. Em momento algum, mesmo quando vemos o Senhor condenando os
homens, vemo-l’O humilhando ou retirando a dignidade humana de qualquer
julgado. A própria sentença de condenação do Senhor não tem sequer uma palavra
de injúria ou de ofensa aos condenados. Diz o Senhor tão somente o necessário,
sem humilhar quem quer que seja. “Nunca vos conheci, apartai-vos de Mim, vós
que praticais a iniquidade” (Mt.7:23). “Apartai-vos de Mim, malditos, para o
fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos, porque tive fome, e não Me
destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; sendo estrangeiro, não Me
recolhestes; estando nu, não Me vestistes; e enfermo e na prisão, não Me
visitastes.” (Mt.25:41b-43). Qual diferente é o Senhor de certos indivíduos
que, por se acharem autoridades eclesiásticas, sob a desculpa da publicidade,
ao invés de darem a sentença, preferem ofender e injuriar as pessoas!
- Por fim, outro fundamento dos julgamentos divinos é a
imparcialidade e retidão do julgador. Dizem as leis humanas que
um julgamento, para que seja justo, deve ser exercido por um juiz que seja
imparcial, ou seja, não tenha qualquer inclinação para uma parte ou outra, como
também que seja um juiz correto, uma pessoa de que tenha ilibada reputação.
Nestes dois requisitos, vemos que os julgamentos divinos trazem o que de mais
excelente há nesta matéria. Deus é imparcial, é a própria imparcialidade
personificada, pois, para Ele, não há acepção de pessoas (Dt.10:17; Cl.3:25).
Deus estará tratando a todos os homens igualmente, pois o julgamento final,
inclusive, é para que prevaleça esta regra da imparcialidade, pois, com este
episódio, todos os indivíduos terão tido a oportunidade de defesa antes de
terem selado o seu destino eterno. Com respeito à reputação do Senhor, Ele é santo
(Lv.11:45; I Pe.1:15) e terá demonstrado todo o Seu poder e fidelidade ao longo
da história humana. Por isso, até, o julgamento final se realizará no final da
história, para que o Senhor demonstre, cabalmente, a Sua dignidade para julgar
os vivos e os mortos.
- Vemos, portanto, que os
julgamentos divinos têm como fundamentos os princípios mais límpidos e seguros
de toda a justiça, possuindo todos os requisitos que, há séculos, os próprios
homens tentam, sem êxito, impor aos seus próprios julgamentos. Indubitavelmente,
todos aqueles que se submeterem ao julgamento final estarão sendo justa e
retamente julgados.
VI – COMO SE DARÁ O JULGAMENTO FINAL
- Lançado o diabo no lago de fogo e
de enxofre, cessará o tempo histórico e será instalado o grande tribunal, a ser
presidido por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Filho do homem que se
apresenta ao ancião de dias na visão do profeta Daniel (Dn.7:13).
- Instalado
o tribunal, ante o grande trono branco, onde estará assentado
Aquele que julgará os vivos e os mortos, ou seja, Jesus Cristo, serão chamados os réus, que são
todos os homens e mulheres que ainda não tiverem sido julgados até então, ou
seja, aqueles que não tomaram parte na primeira ressurreição e os que não foram
submetidos ao julgamento das nações antes do início do Milênio (os que ficaram
vivos no início do Milênio, sobreviventes da Grande Tribulação).
- Neste instante da chamada dos
acusados, haverá
a ressurreição geral dos mortos, ou seja, a chamada
“ressurreição do último dia”, mencionada por Marta quando abordada por Jesus no
dia da ressurreição de Lázaro em Betânia e que é a ressurreição que é sempre
mencionada nos rituais católicos romanos. Esta ressurreição será uma
ressurreição em carne, ou seja, Deus promoverá a reunião da matéria e restabelecerá
os corpos daqueles que, durante toda a história da humanidade, viveram sobre a
face da Terra. Esta é uma das provas bíblicas de que ressurreição não se
confunde com reencarnação, pois se Deus irá retomar toda a matéria de que foram
criados os homens que viveram durante toda a história da humanidade dos locais
em que eles morreram (Ap.20:13), isto é uma demonstração de que se morre apenas
uma vez sobre a face da Terra, ao contrário do que afirmam os
reencarnacionistas. Ainda mais, não há notícia de que venha a ser ressuscitado
qualquer corpo que venha de outro planeta, a comprovar, também, que a teoria
reencarnacionista, que sustenta a vida em outros planetas para justificar o
crescimento populacional, não tem qualquer fundamento bíblico.
- Esta
ressurreição difere da primeira ressurreição, porquanto, nesta,
como se vê em Ap.20:6, há uma bem-aventurança, enquanto naquela, o texto
sagrado silencia, a indicar que sua ocorrência não traz, a princípio, qualquer
benefício. Na primeira ressurreição, os que ressurgem, é verdade, não escapam
do julgamento divino, mas escapam da condenação, estão salvos e ressurgem para
reinar com Cristo. Os que ressurgem por conta do julgamento final, porém, além
de não escapar do julgamento divino, não têm, por força da ressurreição,
qualquer garantia de salvação. Por fim, na primeira ressurreição, o Paraíso,
onde ficavam os que morriam no Senhor, será esvaziado, pois, depois do
arrebatamento da Igreja e da complementação da primeira ressurreição, não
haverá mais qualquer alma naquele local; já na outra ressurreição,
promover-se-á o esvaziamento do Hades, onde estarão aqueles que não dormiram no
Senhor e que estarão, por isso, esperando o julgamento definitivo sem ter a
certeza da salvação.
- É importante observar que a Bíblia
diz que Jesus julgará os vivos e os mortos (II Tm.4:1; I Pe.4:5), pois, além
dos mortos de todas as épocas que serão ressuscitados nesta oportunidade,
também serão levados a julgamento as pessoas que estiverem vivas e assim se
mantiverem por ocasião do término do Milênio, pois não serão todos os homens
que se rebelarão contra o Senhor e contra Israel na rebelião final. Estas
pessoas não terão morrido e compõem os vivos mencionados nos textos sagrados
referidos.
- Operada a ressurreição e a eles
congregados os que estiverem vivos naquela oportunidade e não tiverem sido
ainda julgados, que é a chamada dos acusados, o Juiz passa, então, a julgar um
a um os indivíduos. Este julgamento terá, como já vimos, a apresentação das
normas e regras aplicáveis a cada caso, a apresentação das provas, ou seja, dos
atos cometidos pelo acusado, a oportunidade para a sua manifestação e a
sentença final, que não terá recurso, vez que se trata da mais alta autoridade
do Universo que está proferindo o julgamento e isto à vista de toda a
humanidade e, quando dizemos toda a humanidade, não estaremos usando qualquer
força de expressão, pois ali estarão presentes não só os acusados, mas também
todo o povo dos santos do Altíssimo (cfr.Dn,7:27: Igreja, os que tomaram parte
na primeira ressurreição e o Israel salvo).
- Neste momento, é importante
salientar que, ao contrário do que muitos afirmam, este julgamento não terá apenas condenação.
Muitos entendem que o juízo do trono branco será apenas para condenação, mas
não podemos extrair isto das Escrituras Sagradas. O texto bíblico afirma que,
na análise das normas e das provas, isto é, da abertura dos livros, inclusive
do livro da vida (Ap.20:12), os mortos são julgados segundo as suas obras, não
diz, portanto, que são condenados segundo as suas obras, o que nos permite
inferir legitimamente que não haverá sempre condenação, como muitos advogam por
aí. A Bíblia diz apenas que aquele que não foi achado no livro da vida será
condenado (Ap.20:15), livro da vida este que não é o mesmo livro da vida do
Cordeiro que é mencionado em Ap.21:27.
- O livro da vida do Cordeiro é o
livro onde estão escritos os nomes daqueles que vão ingressar na Nova
Jerusalém, ou seja, na cidade santa que descerá aos novos céus e terra no
Estado Eterno e que será o objeto de nosso estudo na próxima lição (Ap.21:27).
É uma espécie de passaporte, de visto, de “green card” para a cidade santa.
Sendo assim, neste livro estarão tanto o povo dos santos do Altíssimo quanto
aqueles que serão absolvidos e declarados salvos no julgamento final. Este
livro só será aberto por ocasião do julgamento final e, mesmo não conhecendo
seu teor até lá, sabemos que, deste livro, já estão fora, de antemão,
todos aqueles que adorarem a besta na Grande Tribulação, porque esta adoração
importará numa consciente e deliberada rejeição de Jesus (Ap.13:8 e 17:8).
- O livro da vida mencionado em
Ap.20:12, porém, é um outro livro, onde estarão apenas aqueles que serão
julgados e absolvidos no julgamento final. Do livro da vida não consta o povo
dos santos do Altíssimo, porque eles já terão sido julgados e não o serão
novamente por ocasião do julgamento final e, o que é relevante, segundo muitos
estudiosos, já terão, inclusive, entrado na Nova Jerusalém. Desta maneira, não
sendo réus no julgamento final, não há como serem vistos no livro da vida, mas,
por estarem ou terem direito de estar na Nova Jerusalém, terão seus nomes
inscritos no livro da vida do Cordeiro, o que prova que se trata de dois livros
diferentes, que não podem ser confundidos.
- Daí temos a convicção de que, no
julgamento final, haverá, sim, pessoas que se salvarão do lago de fogo e de
enxofre e que ingressarão na nova Jerusalém. É precisamente aqui se resolvem
muitas dúvidas a respeito da salvação de pessoas que não tiveram qualquer
oportunidade de ouvir falar de Jesus (como os índios que moravam no Brasil até
a época do descobrimento) ou das pessoas que viveram antes de Jesus e não
tiveram como aceitá-l’O nem de chegar ao conhecimento da promessa messiânica
(como os chineses do tempo de Confúcio ou Lao-tsé e os indianos do tempo de
Buda). A Bíblia é clara ao afirmar que estas pessoas serão julgadas segundo as
suas obras e estas obras terão de mostrar se, à luz da revelação que tiveram de
Deus, foram, ou não, capazes de Lhe obedecer. Caso tenham sido obedientes a
Deus, diante da revelação que tiveram de Deus, suas obras o demonstrarão e,
assim, seus nomes estarão escritos no livro da vida e, portanto, serão achados
dignos de ingressar na nova Jerusalém. Se, porém, não tiverem sido obedientes a
Deus conforme a revelação que tiveram, seus nomes não estarão inscritos no
livro da vida e, assim, serão condenados e lançados no lago de fogo (Ap.20:15).
- É importante ressaltar, aqui, que
Deus tem várias formas de revelação, mas que todo e qualquer ser humano terá
tido a oportunidade clara de conhecer a Deus e à Sua vontade. Escrevendo aos
Romanos, Paulo é bem categórico ao dizer que nenhum homem poderá se desculpar
diante de Deus, dizendo não ter podido perceber a revelação do Senhor. A
própria natureza, diz o apóstolo, é uma manifestação divina para que os homens
fiquem inescusáveis, isto é, sem desculpa (Rm.1:18-20). A combinação das normas
a serem utilizadas no julgamento (consciência, responsabilidade, formas de
revelação divina) bem como os fatos registrados, ou seja, os atos praticados
devidamente registrados, não deixam qualquer margem para que se tenha qualquer
injustiça.
OBS: “…Existe uma pergunta no meio
da cristandade e até fora dela baseada nos versículos 11-15 que temos nesta
seção [Ap.20:11-15, observação nossa]: ‘ como serão julgados aqueles que
morreram sem ouvir o Evangelho ?’. Essa pergunta, quando dentro da lógica da
visualização do homem, pode ultrapassar qualquer possibilidade de entendimento
da mente humana. Mas é evidente que Deus tem falado e vem falando ao homem de
‘muitas maneiras’ (Hb.1:1). Paulo diz que o Evangelho foi ‘pregado a toda
criatura que há debaixo do céu’ (Cl.1.23). Deus pode alcançar, através de seus
métodos, a todos os homens. Vejamos alguns dos métodos de Deus: (a) Deus fala
através do Universo(…) Sl.19.1-4; (b) Deus fala através da percepção(…)
Rm.1.19-20; (c) Deus fala través da consciência(…) Rm.2:14-16; (d) Deus fala
através da vida dos animais(…) Jó 12:7-9; (e) Deus fala através dos meios
geográficos (…)At.17.30-31(f) Deus fala através de sonhos (…) Jó 33.14-18; (g)
Deus fala através dos anjos (…) Ap.14.6; (h) Deus fala través de Seu Filho (…)
Hb.1.1; (i) Deus fala através de sinais e milagres (…) Hb.2.4a.(…) Perguntamos
agora: havendo Deus falado tanto e de tantas maneiras, chegará alguém inocente
diante do Grande Trono Branco?…” (SILVA, Severino Pedro da. Apocalipse versículo por versículo.2.ed.,
p.260-1).
- Feito
o julgamento, proceder-se-á à imediata execução, pois não se
estará mais no instante da misericórdia divina ou da Sua longanimidade,
manifestada ao longo de toda a história, mas no instante final da execução, da
retirada dos obstáculos morais para a instalação dos novos céus e nova terra.
Assim, terminado o julgamento, segue-se à imediata execução dos julgados, com o
lançamento no lago de fogo de enxofre dos condenados (Ap.20:15).
- Além dos condenados, a Bíblia
também diz que, no lago de fogo, serão lançados tanto a morte quanto o Hades
(Ap.20:14). Aqui temos, evidentemente, uma figura de linguagem, pois nem a
morte nem o Hades são pessoas e, portanto, não se equiparam a elas para ser
julgadas e sentenciadas. O fato é que, com o julgamento definitivo de todos os
seres humanos, a morte física e o Hades, lugar onde ficavam os mortos
aguardando o julgamento definitivo (lembremos que, desde o arrebatamento da
Igreja e a primeira ressurreição, o Paraíso, onde eram colocados os que dormiam
no Senhor, esvaziara-se), perdem completamente a sua razão de ser. Com efeito,
os homens já foram definitivamente julgados e ninguém mais nascerá ou morrerá a
partir de então, de modo que a morte física deixará de cumprir o seu papel,
pois terá findado a dimensão surgida com o pecado do primeiro casal e, de igual
modo, o Hades não terá porque existir. Por isso, dizem as Escrituras, eles
serão lançados no lago de fogo, ou seja, serão simplesmente eliminados, não
mais existirão.
- Deus terá, então, cumprido
plenamente o Seu plano para o homem neste Universo relativo, pendência alguma
terá ficado e, assim, poderá instituir os novos céus e nova terra onde habitam
a justiça e trazer, para eles, a cidade já há muito preparada para conviver
eternamente com a sua criação: a Jerusalém celestial.
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