quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Lição 03 - Joel, o derramamento do Espírito Santo



INTRODUÇÃO
- Na Vulgata Latina o profeta Joel ocupa o segundo lugar entre os doze profetas menores. Nada se sabe a respeito de sua vida, exceto o pouquíssimo que nos é relatado em seu próprio livro ou que indiretamente pode-se conjecturar a partir dele. É difícil inclusive precisar a época em que viveu, embora os comentadores antigos, e entre eles,  Jerônimo, julguem que Joel deva ter vivido na Judéia antes do exílio da Babilônia, provavelmente na mesma época em que viveu Oséias.
I – SÍNTESE DO LIVRO DO PROFETA JOEL
1 - Autoria e significado
Autor: Joel
Data: Entre 835—805 aC
- O nome Joel significa, literalmente, “Jeová é Deus”. Este é um nome muito comum em Israel, e Joel, o profeta, é especificado como o filho de Petuel. Nada é conhecido a respeito dele ou das circunstância de sua vida. Provavelmente que ele tenha vivido em Judá e profetizado em Jerusalém.
2 – Data
- Não há como datar o livro com absoluta certeza, e os estudiosos variam em suas opiniões. Há referências tanto em Amós como em Isaías, que também estão em Joel (comparar Am 1.2 com Jl 3.16 e Is 13.6 com Jl 1.15).
 É opinião de muitos conservadores que Amós e Isaias tenham tomado emprestado de Joel, fazendo-o um dos mais antigos dos profetas menores. Além do mais, a adoração a Deus, a qual o sumo sacerdote Joiada restaurou durante o reinado de Joás (2Rs 11; 2Cr 23.16), é suposta por Joel. Portanto muitos sustentam que Joel profetizou durante os primeiros trinta anos do reinado de Joás (835-796 aC), quando Joiada era o conselheiro do rei. Isso colocaria o ministério de Joel por volta de 835-805 aC.
3 -  Contexto Histórico
- Joel profetizou numa época de grande devastação de toda a terra de Judá. Uma enorme praga de locustas havia despido a zona rural de toda a vegetação, destruiu até as pastagens tanto das ovelhas como do gado, até mesmo tirou a casca das árvores de figo. Em apenas algumas horas, o que tinha sido um terra bonita, verdejante, havia se tornado um lugar de desolação e destruição. Descrições contemporâneas do poder destrutivo dos enxames de locustas confirma a descrição de Joel acerca da praga. A praga das locustas acerca do que Jl escreveu era maior que qualquer um jamais havia visto. Toda a safra foi perdida, e as sementes da safra para o plantio seguinte também foram destruídas. A fome e a seca se apoderaram de toda a terra. Tanto o povo como os animais estavam morrendo. Ela foi tão profunda e desastrosa, que Joel viu uma explicação: era o julgamento de Deus.
4 – Conteúdo
- O Livro de Joel está naturalmente dividido em duas seções. A primeira (1.1-2.27) trata do presente julgamento de Deus, um chamado ao arrependimento e a promessa de restauração. A segunda seção (2.28-3.21) explica que essa praga, horrível como ela pode ser, não é nada comparada ao julgamento de Deus que está a caminho . Este era um tempo em que não somente Judá, mas também todas as nações do mundo serão chamadas diante de Deus.
Todavia, nós não podemos deixar de notar a mais notável seção desta curta profecia. Através do Espírito Santo, Joel olha centenas de anos à frente, para um tempo em que Deus irá derramar o seu Espírito “sobre toda a carne” (2.28). Isso será um prelúdio da devastação e julgamento do Dia do Senhor. Será um tempo em que todos os crentes sentirão a habitação do ES e irão formar uma comunidade profética na terra. Será um tempo em que a profecia virá de jovens e velhos, de igual modo; quando tanto homens como mulheres irão profetizar. A salvação não será apenas a ingualável bênção sobre Judá. Será um tempo em que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (2.32).
5 - O Espírito Santo em Ação
- Joel é notável em suas referências ao ES. Foi obviamente o ES que inspirou o profeta a ver a mão do Senhor em tudo o que está acontecendo e ser capaz de saltar em direção ao terrível Dia do Senhor.
Mas a passagem mais espantosa em Jl é 2.28-32. Ali, o profeta vê um tempo futuro, “depois”, quando o Espírito de Deus for derramado “sobre toda a carne”. Jovens e velhos, de igual modo, tanto homens como mulheres, irão experimentar esse derramamento.
6 -  O dia do Senhor
- O refrão:“O dia do Senhor” é uma marca do livro, havendo cerca de nove ocorrências
dele nessa forma ou similar (1.15; 2.1,2,11,31; 3.14,18).14 Conforme já observamos, esse é um termo técnico que, na verdade, refere-se ao julgamento de Deus na época escatológica.15 Aqui, Joel vê a destruição da nação por exércitos humanos como um presságio do julgamento do Senhor que, com certeza, viria, e ainda com maior fúria. Nesse dia final, o Senhor, como guerreiro celestial, lideraria seus exércitos contra seus inimigos, incluindo seu próprio povo escolhido. Nunca um exército como esse fora reunido antes nem jamais haveria outro semelhante de novo (Jl2.2). A imagem de nuvens, escuridão, fogo e terremoto fala claramente da presença divina, de uma demonstração extraordinária de glória e de poder associada ao Senhor transcendente da criação e da consumação. À luz desse iminente dia de ajuste de contas, o povo de Deus só podia se voltar para ele em sincero arrependimento.
7 -  Esboço de Joel
I. A mão do Senhor no presente 1.1-2.27
- A destruição pelas locustas 1.2-2.11
- O arrependimento de Judá 2.12-17
- A restauração do Senhor 2.18-27
II. O dia do Senhor no futuro 2.28-3.21
- A graça do Senhor 2.28-32
- O Julgamento do Senhor 3.1-17
- A Bênção do Senhor 3.18-21
II – A MENSAGEM DO PROFETA E SUA ATUALIDADE
"e convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque Ele é benigno e compassivo, e inclinado a suspender o castigo. Quem sabe se Ele quererá voltar-se para vós e perdoar-vos e deixar após si uma bênção?" "Rasgai os vossos corações e não os vossos vestidos",
Joel 2:13-14
- Era costume dos israelitas rasgarem as suas vestes, porém, Deus queria que eles rasgassem o coração (circuncisão do coração). Somente quando o homem 'rasga' o coração é que ocorre a verdadeira conversão. A ‘circuncisão’ do prepúcio, o ‘rasgar’ vestes, os ‘jejuns’ de alimento e os 'sacrifícios' de animais não tornava o povo de Israel agradável a Deus, pois a verdadeira circuncisão é Deus que faz. Somente Ele tem o poder de rasgar o velho coração e dar um novo coração ( Sl 51:10 : Dt 30:6 ).
- Além de falar sobre o "julgamento que Deus fará contra os inimigos de Israel e, de uma perspectiva escatológica, o vitória final do povo de Deus", a  mensagem profética de Joel fornece a humanidade uma preciosa lição de inestimável valor: os desastres físicos acompanham a desintegração moral. A maneira como um homem vive em relação a seu Deus vitalmente influenciará as suas alegrias ou tristezas terrenas. O verdadeiro arrependimento (rasgue o coração e não o vestido) não somente trará o ajustamento do homem com o meio ambiente. O mesmo Deus que governa as nossas almas governa o mundo em que vivemos. Que conforto admirável ao pecador contém a promessa: “Eu restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelogafanhoto..” (2.25). Para a alma penitente, tal promessa de Deus produz o alívio do coração, na esperança de, em breve, ser redimido na abundância de seus fatores.
- É bom lembrar que a mensagem anunciada pelo profeta Joel destinava-se tanto aos lideres (anciões) quanto ao povo de Jerusalém (moradores da terra). Ambos necessitavam ouvir o prenúncio do Senhor (...) Muitos entendem que a locusta descrita no verso 4 é proveniente de uma ação demoníaca, porém, o dia previsto pelo oráculo demonstra que é Deus o agente que trará assolação sobre o povo de Israel e Judá ( Jl 2:25 ).
 - Foi Justamente na mensagem de Joel que Deus revelou a vinda do Espírito Santo sobre toda a carne (2.28), quando todo o povo de Deus se converteria em profetas e teria os olhos abertos para compreender os poderosos conselhos secretos de Deus. A mensagem foi ratificada no Pentecostes e Pedro foi inspirado a dizer: “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel” (Atos 2.16). ALELUIA!
CONCLUSÃO
- Entendemos que sem genuíno arrependimento, o julgamento será severo, rigoroso e certo. Nossa confiança não deve estar em nossas posses, mas no Senhor nosso Deus. Deus às vezes pode usar a natureza, o sofrimento ou outras ocorrências comuns para nos aproximar dEle. Entretanto, em Sua misericórdia e graça, Ele tem providenciado o plano definitivo para a nossa salvação, Jesus Cristo. Ele foi crucificado por nossos pecados e trocou o nosso pecado pela Sua perfeita justiça (2 Coríntios 5:21). Não há tempo a perder. O julgamento de Deus virá rapidamente, como um ladrão na noite (1 Tessalonicenses 5:2), e devemos estar prontos. Hoje é o dia da salvação (2 Coríntios 6:2). "Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar" (Isaías 55:6-7). Somente ao apropriar-nos da salvação de Deus é que podemos escapar de Sua ira no Dia do Senhor.

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