INTRODUÇÃO
A
Morte entrou no mundo como resultado do pecado cometido pelo homem no Jardim do
Éden (Gn 3.19;Rm 3.23; 6.23), que naquele momento era o representante de toda
raça humana. Com a entrada da morte nocontexto humano (Gn 2.16-17) todas as
consequências relacionadas a ela, tais como: a dor da perda e aseparação,
acometem os homens indistintamente - a morte tornou-se uma realidade para todos
(Rm 5.12; 6.23).
Porém,
para o verdadeiro cristão, a morte é lucro, pois é partindo para a eternidade
que podemos estar com Cristo,o que é incomparavelmente melhor (Fp 1.21-23).
Portanto, a morte é o momento no qual o cristão é recolhido aoceleiro celestial
como trigo maduro (Mt 3.12). A Bíblia nos ensina que não devemos enxergar a morte
como uma derrota, pois o evangelho ressalta a esperança da ressurreição em
Cristo quando a morte será vencida (I Co 15.51-54).
I
- DEFINIÇÕES DO TERMO MORTE
1.1
Definição Bíblica: É a
separação da alma e espírito do corpo (Tg 2.26), pela qual o homem é introduzido
no mundo invisível. Essa experiência descreve-se simbolicamente como “dormir”
(Jo 11:11; Dt 31:16); “o desfazer da casa terrestre deste Tabernáculo” (II Co
5:1); “deixar este tabernáculo” (II Pe 1:14); “descer ao silêncio” (Sl 115:17);
“expirar” (At 5:10); “tornar-se em pó” (Gn 3:19); e “partir” (Fp 1:23).
1.2
Definição Teológica: No
sentido físico, é o término das atividades vitais do ser humano sobre a terra.
É vista, nas Sagradas Escrituras, como a consequência primordial do pecado: “mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela
não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn. 2.17), por
conseguinte todos os homens morrem (Rm 3.23; 6.23).
II
– A MORTE COMO CONSEQUÊNCIA DO PECADO
Embora,
alguns creiam erroneamente que o homem foi criado mortal, que Adão teria
morrido eventualmente, mesmo sem ter transgredido, a Bíblia liga a morte
diretamente com o pecado (Gn 2.16-17).
Portanto,
a morte do heb. maweth e do gr. thanatos teve sua origem no
pecado, e é o resultado final do pecado (Gn 2.17; I Co 15.21,22,56; Tg 1.15).
Com a entrada da morte no contexto humano, todas as consequências relacionadas
a ela, tais como: a dor da perda e a separação sobrevêm a todos. Destacaremos
três verdades sobre a morte física: 2.1
Uma sentença devido ao pecado original. A morte veio como consequência
do pecado. Isto é bastante claro nas Escrituras: “Porque o
salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito
de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.23).
2.2
Alcança a todos. “Portanto,
como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Rm
5.12).
2.3
Não é o ponto final da história do homem. A doutrina do aniquilacionismo diz que todas as almas
estão sujeitas à extinção após a morte física. Tal doutrina não leva em
consideração as verdades bíblicas e teológicas referentes à imortalidade da
alma e a ressurreição dos mortos que, de forma tão clara e inquestionável, é
ensinada pelos profetas, pelos apóstolos e por Nosso Senhor Jesus Cristo (Dn
12.2; Jo 5.28; I Co 15.58). Portanto, a morte não é o término de tudo, é o
início da eternidade (Lc 16.22). Aos que morreram em Cristo, está reservada a
bem aventurança dos céus (Ap 14.13); quanto aos ímpios, serão lançados no lago
de fogo, que é a segunda morte (Hb 9.27; Ap 20.11-15).
III
– A MORTE FÍSICA NA PERSPECTIVA PAULINA
Para
as pessoas ímpias e incrédulas a morte é algo triste, pesaroso, que elas não
querem ouvir falar, pois não tem esperança (I Ts 4.13). Elas vivem sujeitas ao
temor da morte durante toda a existência terrena (Hb 2.15).
Mas,
nós não podemos encarar a morte da mesma forma que uma pessoa que não tem
Jesus. Porque a morte para o cristão o conduzirá a uma existência melhor e
superior. Paulo escreveu uma carta aos filipenses onde ele declara qual a sua
perspectiva sobre a morte (Fp 1.21-23).
3.1
Amorte é ganho. Por
incrível que pareça, o apóstolo Paulo disse que para ele “morrer
é ganho” (Fp 1.21). O dicionário Aurélio define a palavra ganho
como: “lucro, vantagem, proveito”. Logo, quem morre em Cristo, não perde, mas
ganha, pois encerra suas atividades aqui na terra, ciente de que receberá a
coroa da vida (Ap 2.10) e aguardará o Tribunal de Cristo para receber o
galardão pelas obras que fez enquanto steve vivo (II Co 5.10).
3.2
Amorte nos leva a “estar com Cristo”. Para Paulo a morte física era apenas uma transição, de
uma forma baixa de existência para uma forma mais elevada. Por isso o apóstolo,
disse que se encontrava em aperto ou sem saber o que escolher, porque se
permanecesse vivo contribuiria para a obra de Deus, mas se morresse “estaria
com Cristo” (Fp 1.23).
3.3
Estar com Cristo é melhor. Entre
estar no mundo e estar com Cristo o que preferimos? Paulo sabia o que era
melhor. Por isso disse: “Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo
desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”
(Fp 1.23). Sem dúvida alguma, o desejo ardente de todo salvo deve ser o de encontrar
o seu Senhor, mesmo que para isso tenha que passar pela morte.
IV
– O QUE FAZER QUANDO ENFRENTAMOS O LUTO
Ao
nascermos de novo fomos salvos da morte espiritual (Ef 2.1,5) e da morte eterna
(Ap 2.11), porém não da morte física (Rm 3.23). Ser cristão não significa que
não poderemos passar por essa experiência. Sem dúvida, como seres humanos, nós
sentimos a dor da perda, da separação. As Escrituras não se opõem ao luto, mas,
sim, à atitude de se deixar ser consumido pelo luto. Nas palavras do apóstolo Paulo,
podemos ficar “abatidos, mas não destruídos”. E
mais: podemos ser “atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas
não desanimados; perseguidos, mas não desamparados” (2 Co
4.8,9). Em Deus encontramos conforto para as nossas dores e sofrimentos (Sl 46.1).
A Bíblia nos ensina o que devemos fazer quando estamos enfrentando o luto.
Vejamos algumas atitudes que devemos tomar:
4.1
Devemos buscar o consolo divino. Quando Jesus disse aos discípulos que estaria partindo,
eles ficaram entristecidos, todavia prometeu-lhes que não os deixaria órfãos,
prometeu-lhes enviar o Consolador (Jo 15.26). Do gr “parakletos” que significa
literalmente “chamado para o lado de alguém”, ou seja, sugere a capacidade para
prestar ajuda. Sob este título, o Espírito Santo apresenta-se como aquele que
nos proporciona conforto (Jo 14.16).
As
consolações ministradas por ele, podem vir das seguintes fontes: Palavra de
Deus, oração e comunhão com os santos (Sl 119.50, 76; Fp 4.6; I Pe 5.7; Rm
12.15; Gl 6.2).
4.2
Devemos aceitar a vontade de Deus. A vontade soberana de Deus pode ser definida como a
predisposição inquestionável e irrevogável dele em fazer concretizar os seus
planos e decretos na história e na vida particular de cada um dos seus filhos
(Dt 32.39; I Sm 2.6). Logo, se ele decide que alguém morrerá, não devemos
questionar,
pois
é Senhor e faz o que quer, e os seus pensamentos são maiores que os nossos
pensamentos (Is 55.8,9).
Outra
coisa deve ser destacada: é que Deus, embora permita a morte do ímpio, Ele não
tem prazer nisso, antes seu desejo é que o ímpio se converta (Ez 18.32). Porém,
quanto ao justo sua morte é preciosa (Sl 116.15).
4.3
Devemos ter esperança. O
apóstolo Paulo quando escreveu aos tessalonicenses deixou claro que os
discípulos de Cristo não devem se entristecer com a morte, como os demais
homens que não tem esperança, pois a ressurreição de Jesus é a garantia de que
nós ressuscitaremos (I Ts 4.13,14). A fé cristã transcende o túmulo,
ela
não está limitada as coisas destas vida (I Co 15.19). Ela nos remete a uma vida
porvir onde a morte, o pranto, e a dor não mais existirão (Ap 21.4).
CONCLUSÃO
Como
vimos, a morte é uma realidade para todo ser vivo inclusive para o cristão. Ela
veio como resultado do pecado original no Éden, daí a morte passou todos os
homens. Porém, biblicamente destacamos que a morte não é um caso de extinção,
mas, de separação da alma e espírito do corpo. O cristão verdadeiro consegue
entender que quando estiver enfrentando luto deve recorrer a Deus que consola,
e assim aceitar a sua vontade e confiar em suas promessas de que os que
morrerem em Cristo serão ressuscitados para junto com os que ficarem vivos
estarem sempre com o Senhor nos céus, por ocasião do arrebatamento (I Ts
4.16,17).
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