A
violência social é mais outra nefasta consequência do pecado.
INTRODUÇÃO
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A violência social é mais outra nefasta consequência da entrada do pecado no
mundo e, portanto, somente será debelada quando o pecado for definitivamente
extirpado.
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O salvo em Cristo Jesus deve saber lidar com esta realidade, confiando em Deus
e amando o próximo.
I
– A ORIGEM DA VIOLÊNCIA SOCIAL
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Na sequência do estudo das aflições por que passamos nesta vida sobre a face da
Terra, iniciamos agora o estudo do segundo bloco, referente ao que denominamos
de “dramas sociais”, ou seja, aflições decorrentes da nossa convivência com os
demais seres humanos em nossa peregrinação terra.
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O homem não foi feito para viver sozinho (Gn.2:18), é um ser gregário, ou seja,
vive necessariamente com outros de sua espécie, vive em sociedade. Assim Deus
fez o ser humano, de sorte que, como já dizia o filósofo grego Aristóteles
(384-322 a.C.), o homem é um ser “naturalmente social”.
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Ao criar o homem um ser social, o Senhor fez com que o homem somente pudesse
atingir os propósitos sublimes para ele determinados pelo próprio Deus se
estivesse vivendo em sociedade. Não haveria como o homem obter a frutificação,
a multiplicação, a preenchimento da Terra e a dominação sobre a criação terrena
(Gn.1:28) se não vivesse em sociedade,
sociedade esta que tem como célula mater a família (Gn.2:24).
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Antes que o primeiro casal pecasse, a vida que mantinham entre si era de
perfeita unidade e harmonia.
Tanto
assim é que as Escrituras nos afirmam que não havia qualquer senão entre eles,
pois, em pura inocência, embora estivessem nus, não se envergonhavam um do
outro (Gn.2:25), nada escondiam um do outro, viviam na mais completa paz e
comunhão, não só entre si como também com o Senhor.
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No entanto, assim que pecaram, tudo isto se modificou. Homem e mulher viram-se
nus, passaram a ter vergonha um do outro, procuraram esconder-se de si
próprios, um do outro e, também, de Deus, pois, quando o Senhor a eles veio na
viração do dia, não tiveram como se apresentar diante d’Ele. A paz e harmonia
nos relacionamentos estavam prejudicadas por causa do pecado (Gn.3:7,8).
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A sequência da narrativa bíblica mostra-nos, ainda, que homem e mulher passaram
a se acusar. Adão pôs a culpa da queda na mulher e a mulher comunhão, mas, em
lugar daquilo que antes havia entre os seres humanos, passou a haver
desconfiança, na serpente (Gn.3:12,13). Inexistia um clima de harmonia e de
isolamento e um egoísmo em que um não queria mais saber do bem-estar do outro,
mas, sim, uma ilusória busca pela salvação, mesmo em detrimento do outro.
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Esta situação lamentável não cessou ali no Éden. Pelo contrário, o Senhor, ao
pronunciar o juízo sobre o primeiro casal, foi claro ao mostrar que esta
desarmonia, este desequilíbrio nos relacionamentos perduraria como consequência
do pecado. Ao se dirigir à mulher, a sentença foi claríssima: “o teu desejo
será para o teu marido, e ele te dominará” (Gn.3:16 “in fine”).- Ao pronunciar
esta sentença, não estava o Senhor adotando um “patriarcalismo” ou um “machismo”,
como se anda propagando em nossos dias e, pasmem todos, com a adesão de muitos
que cristãos se dizem ser.
O
Senhor não estabeleceu qualquer superioridade do homem sobre a mulher, mas,
sim, afirmou que, como consequência do
pecado, haveria um desequilíbrio entre os relacionamentos humanos, haveria um
traço de iniquidade produzido pelo pecado nas relações humanas, a começar pelo
domínio do homem sobre a mulher.
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Este domínio do homem sobre a mulher era a primeira demonstração de que, com a
entrada do pecado no mundo, prevaleceria o egoísmo, o interesse próprio nas
condutas humanas, não haveria lugar para o amor ao próximo, para o
desenvolvimento da fraternidade. Os homens pensariam, antes de mais nada, em si
mesmos e, neste pensamento, não titubeariam em prejudicar o outro, em querer
dominar o outro, em transformar o outro em mero instrumento para a satisfação
de seus desejos e projetos.
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Esta triste realidade vemos bem estampada algum tempo depois no relato bíblico
do episódio a envolver os dois primeiros filhos de Adão e Eva, Caim e Abel.
Algumas décadas haviam se passado desde a expulsão do primeiro casal do Éden e
já sentimos como as relações entre os homens se encontravam extremamente afetadas
pelo pecado.
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Caim, tomado pela inveja, matou o seu irmão Abel, uma vez que o sacrifício
deste havia sido aceito por Deus, enquanto que, com respeito ao seu sacrifício,
não tinha havido aceitação da parte do Senhor (Gn.4:1-11). Temos aqui a notícia
do primeiro crime de homicídio na história da humanidade, a clara demonstração
de que a violência social tem como causa o pecado
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Deus alertou Caim, antes do cometimento deste crime, de que ele deveria cuidar
da sua comunhão com o Senhor, pois, se isto não ocorresse, o pecado o dominaria
(Gn.4:7). No entanto, Caim não deu ouvidos a
Deus,
antes preferiu matar Abel e, desta maneira, “não ter concorrência” quando fosse
oferecer sacrifícios ao Senhor.
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Na atitude tomada por Caim, notamos, com absoluta clareza, que a decisão pelo
crime, pela violência é resultado de uma rejeição a Deus, é consequência direta
do pecado, é resultado de uma vida impregnada de egoísmo, individualismo, de
total despreocupação com o próximo. Tanto assim é que a primeira atitude de
Caim ao ser interpelado pelo Senhor a respeito do paradeiro de Abel, foi a de
dizer que não era ele guardador do seu irmão (Gn.4:9 “in fine”).
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A origem da violência social, portanto, é o pecado, aquele que o próprio Deus
disse a Caim que estava à espreita, procurando dominá-lo. Por isso, aliás,
assistimos a um grande aumento da criminalidade em nossos dias, dias de
multiplicação da iniquidade (Mt.24:12).
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Muitos têm procurado defender a tese de que a causa da criminalidade é a
injustiça social, a má distribuição de renda, a falta de oportunidade às
camadas mais pobres da população e que, havendo melhora nos índices sociais, a
tendência da criminalidade é de ser reduzida e, quiçá, debelada. Tais estudos,
porém, não se coadunam com a realidade bíblica e, como sabemos, a Bíblia é a
verdade (Jo.17:17).
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Estes estudos, em que pesem suas estatísticas, são diariamente infirmados pelos
fatos, não podendo, pois, ser acolhidos. Estivessem eles certos, os países mais ricos seriam,
necessariamente, países sem crimes ou com criminalidade descendente, o que,
entretanto, não ocorre. Estivessem eles certos, a criminalidade não alcançaria
as camadas mais abastadas da população, o que, também, não é o que se vê.
Notamos, portanto, que tais pensamentos e ideias, embora difundidos e
apresentados como “verdade” pelos meios acadêmicos e de comunicação, não
resistem aos fatos.
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Estes estudos esquecem-se do principal problema que causa a violência social,
que é o pecado, pecado que, inclusive, também causa a injustiça social e a má
distribuição de renda. A violência social é resultado de uma vida sem Deus, de
uma vida que busca a satisfação da natureza pecaminosa e que, por seu
individualismo, egoísmo e desprezo para com o próximo,faz com que, a exemplo de
Caim, não se tenha a menor dificuldade em se prejudicar, e eliminar até, o outro
para que haja a concretização dos projetos malévolos levados a efeitos por quem
anda sem Deus por esta Terra.
II
– CONVIVENDO COM A VIOLÊNCIA SOCIAL
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Visto que a origem da violência social é o próprio pecado, temos que, à
evidência, não teremos como combater a
violência social se não combatermos o pecado. Não é por outro motivo que um dos
caminhos efetivos de diminuição da violência social é a pregação do Evangelho,
pois só ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16).
Por isso, razão tinha o presidente brasileiro Getúlio Vargas (1882-1954)
quando, certa feita, disse que quando se abre uma igreja, deixa-se de abrir um
presídio.
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Diante desta realidade, torna-se pueril buscar-se uma vida terrena em que não
haja violência ou se crer em ações ou estratégias que eliminem a violência da
sociedade, pois sabemos que, sendo o pecado a origem da violência, e estando
nós a viver numa época em que se multiplica o pecado, é de se esperar que a
violência aumente cada vez mais, em cumprimento até ao que se encontra nas
Escrituras.
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Deste modo, do salvo em Cristo Jesus, que conhece a verdade, não se pode esperar que confie nos planos
criados pelos homens para a extirpação ou minoração da violência, pois não pode
o Estado, a quem se atribui a tarefa de solucionar o problema, resolver esta
questão, pois não se trata de uma questão política, mas, sobretudo, de uma
consequência de um problema espiritual muito mais profundo e complexo.
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Enquanto a sociedade clama pela diminuição e erradicação da violência, buscando
mesmo auxiliar o Estado para a solução deste problema, a própria sociedade,
paradoxalmente, torna-se mais violenta a cada dia que passa. Como afirmou o
sociólogo brasileiro Antônio Flávio Testa, “…Vivemos em uma sociedade que
aceita, paradoxalmente, a violência, não obstante todo o investimento feito
para diminuir a criminalidade.…” (A violência social no Brasil. 23 mar. 2009.
Disponível em:
http://professortesta.blogspot.com.br/2009/03/violencia-social-no-brasil.htmlAcesso
em 29 maio 2012).
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Isto se dá precisamente porque, apesar de querer o fim da violência, a
sociedade está a pecar cada vez mais intensamente, e o pecado, entre os seus
produtos, gera violência, como já pudemos observar.
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Diante deste quadro, além de evangelizar, pois
é através do Evangelho que podemos diminuir esta violência, pois só com
a salvação em Cristo Jesus podemos nos libertar do pecado e, deste modo, também
não mais satisfazermos aos desejos carnais que nos levam a uma vida de
violência (Jo.8:32-36), o que deve fazer o salvo em Cristo Jesus?
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O salvo, sabendo a real origem da violência social, tem de conviver com esta
dura realidade, visto que estamos no mundo (Jo.17:11), mundo está que está no
maligno (I Jo.5:19) e do qual o Senhor Jesus não pede para que dele sejamos
tirados (Jo.17:15).
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Temos de ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt.5:13,14) e, para tanto, temos
de ser mantidos aqui na
Terra
até o dia em que o Senhor nos quiser recolher para a eternidade ou, então, no
dia do arrebatamento da Igreja. Em sendo assim, teremos de conviver numa
sociedade cada vez mais violenta e, o que é real, muitas vezes sofrendo os
males causados por esta violência.
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Na convivência com a violência social, devemos nos lembrar, ainda, do primeiro
homicídio da humanidade. Ali a vítima do crime foi o justo Abel (Mt.23:35;
Hb.11:4), prova de que os justos não estão livres de ser vítimas de crimes
nesta Terra. Aliás, os salvos, além da violência normalmente sofrida por todos
os seres humanos neste mundo que jaz no maligno, ainda sofrem a violência por
servirem a Deus, não raras vezes morrendo por causa da fé (Lc.21:16,17;
Hb.11:35-40).
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Assim, além de termos consciência de que temos de conviver num mundo cada vez
mais violento, também precisamos estar certos de que nós mesmos podemos, apesar
de nossa condição de servos do Senhor, e até por causa disso, ser alvo da
violência. Não estamos imunes à violência e quando ocorrer de um servo de Deus
ser vítima de crime, não tenhamos nossa fé abalada, nem tampouco coloquemos em
dúvida a espiritualidade daquele que for vítima da violência, mas, antes, nos
lembremos do justo Abel.
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Mas alguém poderá objetar o que estamos a dizer, afirmando que Jesus, embora
não tenha pedido ao Pai que nos tirasse do mundo, pediu ao Senhor que nos livrasse
do mal (Jo.17:15). Não haveria, pois, uma promessa de Cristo de que jamais
sucederia mal a nós, de que jamais seríamos vítima de violência neste mundo?
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Este mal a que Jesus Se refere em Jo.17:15 não significa, em absoluto, uma
imunidade à violência nesta
Terra,
tanto que, como já dissemos, são muitos os servos do Senhor que padecem por
causa da fé e, se fôssemos entender o mal mencionado em Jo.17:15 como uma
imunidade à violência, não teríamos como considerar os martírios mencionados
nas Escrituras, como as mortes de Estêvão (At.7:59,60) e de Tiago (At.12:1,2)
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Este mal a que Jesus Se refere é o verdadeiro mal, que é a perda da salvação, a
eternidade sem Deus. Tanto assim é que, quando o Senhor Jesus adverte os por
causa do Seu nome, foi enfático ao afirmar que não deveríamos temer aqueles que
podem matar o nosso
Seus
discípulos de que eles sofreriam e até perderiam a vida corpo, mas, sim, Aquele
que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo, i.e., o próprio Deus
(Mt.10:28; Lc.12:4,5).
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Confiamos em Deus e devemos pedir-Lhe proteção numa sociedade cada vez mais
violenta, mas isto não significa que estejamos imunes à violência. Por
isso, devemos, sim, tomar todas as
precauções existentes para nos protegermos da criminalidade, lembrando, porém,
que não devemos confiar nos equipamentos, nas estratégias de segurança mas,
sim, lembrarmos que nossas vidas estão nas mãos de Deus.
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Nesta confiança em Deus, encontra-se outra atitude que devemos ter ante esta
realidade, que é a de não sermos contaminados por uma obsessão, por uma
ansiedade, por um medo excessivo, por uma fobia em razão da violência.
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Neste sentido, aliás, nosso comentarista fala dos “traumas” da violência
social. “Trauma” é palavra de origem grega que significa “ferida”. Os “traumas”
podem ser físicos ou psicológicos.
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“O trauma psicológico é um tipo de dano emocional que ocorre como resultado de
um algum acontecimento. Pressupõe uma experiência de dor e sofrimento emocional
ou físico. Como experiência dolorosa que é, o trauma acarreta uma exacerbação
do medo, o que pode conduzir ao estresse, envolvendo mudanças físicas no
cérebro e afetando o comportamento e o pensamento da pessoa, que fará de tudo
para evitar reviver o evento que lhe traumatizou. Igualmente, pode acarretar
depressão, comportamentos obsessivos compulsivos e outras fobias ou transtornos
, como o de pânico.…” ( Trauma psicológico. In: WIKIPÉDIA. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Trauma_psicol%C3%B3gicoAcesso em 29 maio 2012).
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Assim, ante uma experiência de violência, pode a pessoa desenvolver um trauma
psicológico, o que é cada vez mais comum, tendo em vista a crescente crueldade
com que estão sendo perpetrados os crimes na atualidade, como reflexo desta
multiplicação do pecado. Os salvos, não
estando imunes à violência, também não estão livres de sofrer com traumas
decorrentes desta experiência terrível que é a de ser vítimas de uma
criminalidade violenta e cada vez mais assustadora.
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A superação desta situação em que podemos nos envolver em virtude da
experiência com a violência depende, sobretudo, de entrarmos em contato mais íntimo com o
Senhor. O trauma é uma “ferida na alma”, fonte de nossa sensibilidade, algo
extremamente compreensível, mas que deve ser suplantado não só diante dos
recursos existentes na ciência (seja a medicina, seja a psicologia), mas ante
uma intensa aproximação com o Senhor, pois não há quem possa nos dar refrigério
como o nosso Deus, o nosso socorro bem presente na hora da angústia (Sl.46:1).-
Precisamos, diante de uma experiência desta natureza, entender que, mesmo tendo
sido vítimas de uma violência, não estamos desamparados pelo Senhor. Tais
situações mostram-nos quanto o pecado prejudica a humanidade e que, apesar de
tudo, temos garantida a salvação em Jesus Cristo e que tudo quanto estamos a
sofrer aqui é passageiro, que nos espera algo muito melhor, novos céus e nova
terra em que habita a justiça (II
Pe.3:13).
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Muitas vezes, a experiência com a violência é permitida pelo Senhor para nos
ensinar a não dar tanto valor para as coisas desta vida, mas darmos prioridade
ao que realmente importa, ou seja, ao reino de Deus e à sua justiça (Mt.6:33).
Conhecemos diversos testemunhos de pessoas que foram vítimas de crimes e que,
naqueles instantes tenebrosos, viram que nada valem os bens que possuíam a
posição social ou o prestígio alcançados e tão perseguidos, quando, sob a mira
de uma arma de fogo, estavam a ponto de ser mortos. São experiências terríveis,
mas que nos fazem acordar para a realidade da vida humana
Porventura,
não foi isto que sentiu Ló quando foi levado cativo juntamente com os sodomitas
(Gn.14:12).
Quem
sabe não foi depois esta terrível experiência que ele passou a se afligir com a
maldade de Sodoma (II Pe.2:7,8)?
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O trauma desenvolve-se e se fortalece quando, em meio a tais experiências
dolorosas e terríveis, a pessoa deixa de se voltar para Deus e, ao revés,
volta-se contra Ele, querendo culpar-Lhe pelo acontecido, algo que, tomemos
cuidado, é uma artimanha utilizada por Satanás para nos levar a uma atitude
contrária à vontade de Deus.
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Quando passarmos por experiências traumáticas, jamais nos levantemos contra o
Senhor, nem procuremos questionar o porquê daquela situação, como que a querer,
diante de Deus, dizer que não merecíamos passar por aquela situação ou, o que é
pior, culpar Deus pelo acontecido. Deus sempre nos quer bem e, mesmo diante de
situações extremamente penosas, jamais devemos deixar de considerar que todas
as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus e são
chamados pelo Seu decreto (Rm.8:28)
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Não resta dúvida que se trata de uma atitude difícil de ser tomada, mas é
comportamento absolutamente necessário para quem serve a Deus e quer morar com
o Senhor para sempre na eternidade. Não podemos querer raciocinar, em situações
desta natureza, com a nossa mente humana, que é extremamente pequena e não tem
condições de saber o que está acontecendo. O Senhor bem demonstrou a pequenez
do entendimento humano ante o divino ao interpelar o patriarca Jó, quando este
O questionava a respeito de todo o sofrimento que estava a padecer (Jó 38-41). Não
restou ao patriarca, ao final daquele questionário, senão reconhecer que falava
do que não entendia, de coisas maravilhosíssimas que não compreendia (Jó 42:3).
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Ao lidarmos com as reações psíquicas decorrentes de experiências de violência,
devemos, antes de mais nada, nos aproximar do Senhor e buscar n’Ele o consolo,
a superação dos traumas, pois somente desfrutando do consolo e do amor divinos
poderemos enfrentar situações quetais.
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Outra atitude que devemos evitar, no tratamento desta situação, é a ansiedade.
Muitas vezes, não somos vítimas da violência, mas, em meio às ocorrências cada
vez mais terríveis que têm acontecido em nossos dias, podemos ser tentados a
viver ansiosamente, receando ser vítimas de crime a todo instante, um
comportamento que, entretanto, também não pode existir entre quem cristão se
diz ser.
É
evidente que, mesmo sendo servo de Deus, como já dissemos supra, nem por isso podemos ser imprudentes e alheios à
criminalidade intensa que toma conta do mundo em nossos dias, e sejamos
descuidados com a segurança dse nossa pessoa, de nosso patrimônio e de nossa
família. Mas, entre prudência e obsessão, há uma grande diferença.
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“Ansiedade”, diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “grande mal-estar
físico e psíquico; aflição, agonia”; “desejo veemente e impaciente”; “falta de
tranquilidade; receio”; “estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa
de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o
indivíduo se julga indefeso”.- A origem da palavra “ansiedade” é a palavra
latina “anxietas, atis”, que, por sua vez, tem origem no radical “ang-“, cujo
significado é “'estreitar, oprimir, apertar (a garganta)”, que tem a mesma
origem da palavra “angústia”, que a psicologia considera como sendo “estado de
excitação emocional determinado pela percepção de sinais, por antecipações mais
ou menos concretas e realistas, ou por representações gerais de perigo físico
ou de ameaça psíquica” e a psicanálise, “reação do organismo a uma excitação
impossível de ser assimilada, desencadeada pelo bloqueio da consecução da
finalidade de uma pulsão (p.ex., a frustração do orgasmo) ou pela ameaça de
perda de um objeto investido por uma
pulsão (p.ex., a perda de um ser amado)”
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Isto significa que todo ser humano, salvo ou não, tem ansiedade, pois ela é o
resultado de termos uma natureza pecaminosa e, ao mesmo tempo, termos sido
criados para viver com Deus, o que é impossível por causa do pecado que
praticamos. Destarte, neste conflito entre o objetivo da eternidade e o domínio
do pecado que nos impele para o passageiro e temporário, surge uma
“estreiteza”, um “aperto”, uma “opressão” no próprio ser humano, que gera a
“ansiedade” ou “angústia”. Isto decorre da própria natureza humana e não há
como dela nos livrarmos enquanto não atingirmos a glorificação, que é o estado
final da salvação, quando nos livraremos desta natureza pecaminosa exclusivamente
de Jesus, quem se tornou em vara da videira verdadeira (Jo.15:1), tem como se
livrar desta , deste “corpo do pecado”. Até lá, porém, quem passou a depender ansiedade,
lançando-a sobre o Senhor Jesus, como, aliás, nos recomenda o apóstolo Pedro (I
Pe.5:7).
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A salvação é o primeiro e indispensável
passo para cuidarmos da ansiedade. A ansiedade resulta do domínio da natureza
pecaminosa sobre o homem, e não poderá ser tratada se a carne não estiver
crucificada com Cristo. Devemos andar segundo o espírito e não segundo a carne
para termos condição de lutar contra a ansiedade e, por isso, temos de ter
nascido de novo, nascido da água e do Espírito (Jo.3:3-6).
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A ansiedade resulta da falta de uma sensação de bem-estar, e esta sensação de
bem-estar somente advém ao ser humano quando a eternidade do seu interior se
encontra com o Eterno, ou seja, quando alguém aceita a Cristo Jesus como seu
único e suficiente Senhor e Salvador, instante em que o próprio Deus vem morar
no interior do homem, preenchendo aquele vazio de significado, aquele vácuo interior
do ser humano, vácuo que só pode ser preenchido por Deus porque é “um vazio do
tamanho de Deus”, o único ser eterno que existe.
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Assim, diante de fatos tão tenebrosos
como o aumento da violência social, a reação não é viver ansioso, dar as costas
para Deus, mas aumentar, mais e mais, a confiança em Deus, voltar-se ao Senhor,
tomando as devidas cautelas, mas sem deixar de confiar no Senhor, sem se entrar
nesta paranoia que tem tomado a vida de muitos.
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Outra reação que costuma ocorrer diante da violência social é o medo. A palavra
“medo” vem da palavra latina “metus”, cujo significado é “medo, temor,
desassossego, inquietação, ansiedade, temor religioso, objeto de temor”,
palavra que, na linguagem do direito romano, significava, por sua vez, “constrangimento
moral imposto a qualquer um para fazê-lo realizar um certo ato, pela ameaça de
um mal iminente”.
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O “medo” está acompanhado de uma atitude de incredulidade. Ló, mesmo tendo sido
salvo (praticamente à força) do desastre que cairia sobre as cidades da
planície, não confiou que, no lugar indicado pelos anjos, estaria livre do
juízo divino e, por isso, pediu que lhe fosse permitido ir para outro local,
local este, aliás, muito mais vulnerável do que o monte. O “medo”, pois, sempre
demonstra uma atitude de falta de confiança em Deus, está sempre relacionado
com um ato de incredulidade.
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O medo é uma sensação que advém ao ser humano quando ele verifica que é
incapaz, impotente para resolver uma determinada situação, de enfrentar um
determinado perigo. Ao utilizar-se de sua inteligência e de sua capacidade
intelectual, o homem percebe que existem circunstâncias que lhe trazem riscos,
a começar pelo risco da sua própria sobrevivência, riscos estes que não tem
como eliminar. Diante desta percepção do perigo, o homem, então, tem duas
alternativas: ou confia em Deus, que é o seu Criador, que pode solucionar estes
problemas, dando-lhe a necessária segurança, ou, então, cria mecanismos
próprios que permitam amenizar ou eliminar, dentro de sua ótica, tais perigos.-
O medo é uma sensação que apresenta um lado positivo, qual seja, a consciência
da fragilidade humana, de sua impotência diante do mundo. Sem que se verifique
esta sensação, não há como percebermos a nossa necessidade de Deus. O medo
é uma emoção humana que desmente a
ilusória proposta satânica de que podemos viver num estado de autossuficiência.
Se não sentíssemos medo, certamente nos seria muito difícil perceber que
precisamos de Deus
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Não é por outro motivo que, nas Escrituras, temos, por 365 vezes, a expressão
“não temais” ou alguma de suas variantes, o que, pela coincidência do número de
vezes da expressão com o ano do calendário gregoriano, fez com que muitos
dissessem que há uma expressão “não temais” para cada dia do ano. A insistência
da Bíblia em dizer que não devemos ter medo é mais uma demonstração de que o
sentimento de medo é inerente à própria condição humana, à própria natureza do
ser humano, mas que Deus, ciente desta incapacidade, desta impotência do ser
humano, está sempre à disposição para eliminar esta sensação, mediante a
comunhão com Ele, o que se dá apenas na pessoa de Jesus Cristo que, por ser
Aquele que elimina o medo, é o responsável por nos trazer a paz, aquele
sentimento que nos completa e retira o medo, pois.
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Como se pode observar, portanto, o medo
também não é uma reação que devamos ter em meio à violência social crescente em
nossos dias. Trata-se de um comportamento inadequado para quem confia em Deus.
Devemos ter uma vida de intimidade com o Senhor para evitar que tal conduta
venha tomar conta de cada um nós.
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A ansiedade e o medo, ademais, são potencializados, nos dias em que vivemos,
pelo sensacionalismo que muitas vezes caracteriza o tratamento da questão pelos
meios de comunicação de massa. Embora seja real o aumento da criminalidade, não
devemos dar crédito a tudo quanto se veicula nos meios de comunicação, a ponto
de termos transformada nossa conduta numa obsessão, visto que os justos são
pessoas que não “engolem” toda e qualquer informação, mas, antes, investigam o
que é veiculado (Sl.10:4), confiando em Deus e sabendo que Deus é a verdade
(Jr.10:10).
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Em termos de violência social, também, existe um comportamento que é o de
tentar reagir à violência com mais violência, à demonstração de desamor que
sempre acompanha toda e qualquer atitude violenta com o ódio. Assim, não são
poucos, na atualidade, que defendem adoção de medidas de violência contra os
criminosos, como os linchamentos e, não raras vezes, até mesmo a pena de morte
para quem pratica delitos.
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É de Deus a competência para a aplicação seja da morte física como da morte
espiritual, tanto que as Escrituras dizem que somente Deus pode dar ou tirar a
vida (I Sm.2:6) como também que, no grande julgamento que haverá na humanidade,
será Ele o grande julgador e a pena a ser aplicada aos transgressores será,
exatamente, a pena de morte, mas a morte verdadeira, a morte eterna, a
sempiterna separação de Deus
(Ap.20:13-15).
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Sabemos que o tema é polêmico, mas temos a convicção de que a Bíblia Sagrada,
em momento algum, dá a qualquer autoridade o poder de tirar a vida do
semelhante, ainda que este seja mau e transgressor da lei. O fato de a pena de
morte ter sido, inclusive, incluída na lei de Moisés (embora nunca tenha sido
rigorosamente aplicada), não invalida este nosso entendimento, pois é bíblico
que muito do que se constou na lei mosaica decorreu da dureza dos corações dos
homens e não da vontade operativa de Deus (ou seja, que Deus tivesse querido
isto, tendo apenas permitido).
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A defesa da pena de morte é a própria anulação da mensagem do evangelho, que é
baseada na crença de que o homem pode se arrepender e, em se arrependendo,
obtém o perdão de todos os seus pecados. A pena de morte está baseada no
pressuposto de que há seres humanos irrecuperáveis, há casos em que não é
possível a restauração do homem e, portanto, deve ele ser retirado do meio
social para sempre. Sabemos que há pessoas que rejeitam a salvação e outras
que, inclusive, cometem o pecado imperdoável da apostasia, contra o qual não há
redenção possível. Todavia, a Bíblia toda ensina que cabe a Deus, o único dono
da vida, a aplicação de eventual pena de morte, pena esta que é definitiva,
pois não atinge apenas a morte física, mas também a morte espiritual.- A Palavra
de Deus é enfática em afirmar que a vingança, a recompensa pelo mal cometido
não compete ao homem efetuar, mas, unicamente, a Deus e isto desde os tempos da
lei de Moisés – Lv.19:18; Dt.32:35,41,42; Sl.94:1,2; Is.61:2; Rm.12:19; Hb.10:30;
Ap.6:10; 19:2
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Portanto, a atitude que devemos ter com
relação aos criminosos não é a de vingança ou de sua eliminação, mas, sim, a
mesma atitude que teve o Senhor Jesus que, diante de Seus algozes, perdoou-lhes
(Lc.23:34).
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Diante da violência social, sem tirar a responsabilidade do criminoso, deve
todo salvo apresentar o perdão como resposta à injustiça cometida. É o perdão a
atitude de quem tem a salvação para aquele que agride, violenta. Devemos
lembrar que não lutamos contra a carne nem contra o sangue, mas com todas as
hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais em Cristo (Ef.6:12).
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Como vítimas de crimes ou sendo duramente atingidos por crimes cometidos, mesmo
não sendo as vítimas diretas de tais atitudes, é preciso que estejamos prontos
a perdoar os criminosos. Sabemos que isto não é uma atitude fácil, mas não
podemos deixar de entender que, para seguir a Jesus, temos de renunciar a nós
mesmos (Mc.16:24) e o perdão é uma conduta típica de quem se negou a si mesmo
(Mc.8:34; Lc.9:23).
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A grande diferença entre os que são salvos por Cristo Jesus e os demais seres
humanos é, precisamente, a circunstância de que o cristão verdadeiramente ama o
próximo como a si mesmo e, desta maneira, é capaz de perdoar àqueles que os
perseguem. Jesus mandou que amássemos até os nossos inimigos (Mt.5:44;
Lc.6:27,35) e, portanto, não temos como negar aos que cometem crimes contra nós
ou nossos entes queridos o perdão.
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O perdão não significa que devamos ser lenientes com as condutas criminosas ou
que permitam que campeie a impunidade. Como cidadãos, devemos exigir das
autoridades que esmerem pela punição dos delitos cometidos, para um estado de
segurança, pois para isto elas foram constituídas, para “castigar o que faz o
mal” (Rm.13:4 “in fine”).
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A violência encontra-se banalizada na atualidade. O ambiente de multiplicação
do pecado faz com que a violência seja cada vez mais admitida e aceita pela
sociedade, nas mínimas coisas, o que é inadmissível e revela o alto grau de
degradação moral e de corrupção da humanidade.
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Como servos de Deus, devemos exigir das autoridades uma conduta de combate à
criminalidade e à violência, inclusive não permitindo que o Estado seja, ele
próprio, um fator de geração de violência, como, lamentavelmente, se tem visto
com cada vez maior intensidade nos aparelhos de segurança pública de nosso
país, não raras vezes ele próprio promotor de atividades violentas e ilegais.
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Nunca é demasiado lembrar que, em Seu reino milenial, o Senhor Jesus terá como
uma das características de Seu governo de paz, a exemplar e rápida punição de
todos quantos violarem a legislação naquele tempo (Is.11:3-5). Ora, se assim
será o reinado de Cristo, a Igreja deve sempre postular e defender que o modelo
existente se aproxime o máximo possível daquilo que será implantado pelo Rei
dos reis e Senhor dos senhores.
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A violência social é consequência do pecado e, como tal, tem a responsabilidade
pessoal do criminoso. Não se pode, também, querer atribuir à sociedade ou à
miséria a total responsabilidade pelo cometimento de delitos, pois todo ser
humano tem livre-arbítrio e, portanto, a opção pelo crime reflete uma rejeição
livre e consciente da misericórdia e da graça divinas, exatamente como se deu
com o primeiro criminoso, Caim, como já dissemos supra, Caim que as Escrituras
dizem ser uma pessoa maligna (I Jo.3:12).
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Por isso, o perdão que o cristão deve dar àquele que cometeu crime contra si ou
contra alguém que lhe seja querido não significa, em absoluto, a impunidade em
termos sociais. Cada um deve responder pelos atos que cometeu e o Estado foi
criado por Deus com este propósito de punir os delinquentes, punição,
entretanto, que não pode ir além dos limites traçados pelo Senhor ao próprio
Estado, o que envolve não só a preservação da vida do criminoso mas a
inviolabilidade de sua dignidade como pessoa humana, imagem e semelhança de
Deus.
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Diante dos criminosos, a igreja deve ir aos estabelecimentos penitenciários e
voltar a bradar, com a mesma unção do Espírito Santo, que os condenados e presos
devem se “salvar desta geração perversa”(At.2:40), que devem se arrepender e
crer em Jesus (At.2:37-39; 16:26-31), pois o nosso Deus é o mesmo Deus de Paulo
e de Silas e que também manifesta Seu poder e amor nas prisões.
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Não se contesta que a violência social traz muitas e grandes aflições aos que
servem a Deus, mas é também nesta circunstância tão aflitiva que devemos, com
tal conduta diferente da dos demais homens, fazer com que o nome do Senhor seja
glorificado.
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